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Alunos coletam e trocam materiais recicláveis por 'dinheiro' em escolas de Ibirá

José Maria Tomazela

Sorocaba

16/07/2019 17h52

A iniciativa de um professor da rede pública municipal está rendendo bons dividendos ambientais para os 10,9 mil habitantes de Ibirá, no interior de São Paulo. Ele idealizou uma "moeda" local que os 1.200 alunos das três escolas da cidade podem trocar por material reciclável que eles mesmos coletam em casas, comércio, ruas e praças. Esse dinheiro, batizado de "ibirazinho real", por enquanto é aceito apenas em lojinhas montadas nas unidades de ensino, onde os estudantes podem comprar desde brinquedos simples até material escolar.

As cédulas, que têm até uma faixa holográfica imitando as verdadeiras, foram impressas com autorização da prefeitura, que encampou o projeto, lançado no dia 6 de junho, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Para cada 35 latinhas de alumínio ou garrafas plásticas, o aluno recebe IR$ 1 (1 ibirazinho real). Assim, ele acumula dinheiro para consumir nas lojas escolares.

Com IR$ 2, por exemplo, é possível comprar canetinhas marca-texto ou bolinhas de pingue-pongue. Juntando IR$ 5, já se compra uma bola de basquete. "O envolvimento dos alunos mexeu com os pais e, aqueles que não faziam, passaram a separar o lixo em casa", contou o professor Araújo Junior, autor da iniciativa.

Conforme o professor, cada escola recebe 200 cédulas por semana. O material coletado é comprado por uma cooperativa de recicláveis e, com o dinheiro, a prefeitura abastece as lojinhas, que abrem um dia por semana para atender os estudantes. O projeto é totalmente sustentável, segundo ele. "Além dos cuidados com o meio ambiente, que reforçamos durante as aulas, os alunos aprendem noções de economia e a lidar com o dinheiro", disse.

O resultado mais evidente está nas ruas da cidade, totalmente livres de lixo. "Depois que o projeto começou, meu filho organiza o lixo em casa, separa os recicláveis e leva para a escola. Ele também faz a coleta nas casas vizinhas e na padaria", afirmou a dona de casa Silvia Claro, mãe de um aluno de 11 anos.

Já o estudante Edson Gregati Junior, de 12 anos, disse que já conseguiu IR$ 12, após coletar latinhas na rua e pedir para os vizinhos.

Na cidade, estância hidromineral conhecida pelas propriedades curativas de suas águas, não se fala em outra coisa. "Achei a ideia maravilhosa e, como separamos o material reciclável, estamos colaborando", declarou Mariele Lourenço da Silva, funcionária da panificadora Oliva, na região central.

Conforme a secretária de Educação, Alessandra Cristina Pinheiro, o plano é ampliar o projeto a outros segmentos da comunidade. "Na próxima etapa, vamos buscar parcerias com o comércio local para que eles também possam receber o ibirazinho real", disse.

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