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Cidade do Pará entra em colapso por falta de oxigênio; 6 morreram nas últimas 24h

Na manhã de hoje o prefeito conseguiu comprar 20 balas de oxigênio na cidade de Santarém (PA) - Divulgação/SSPAM
Na manhã de hoje o prefeito conseguiu comprar 20 balas de oxigênio na cidade de Santarém (PA) Imagem: Divulgação/SSPAM

Danielle Ferreira

19/01/2021 13h11

Pelo menos seis pessoas morreram nas últimas 24 horas por asfixia no município de Faro, no Pará, segundo a prefeitura da cidade. A realidade no local é de colapso na área da saúde com a falta de oxigênio, leitos e medicamentos para os pacientes em tratamento da covid-19. O município fica na divisa com o estado do Amazonas. A situação mais preocupante é na comunidade de Nova Maracanã, onde pelo menos 34 pacientes estão hospitalizados. A situação também atinge as cidades vizinhas de Terra Santa (PA) e Nhamundá (AM).

Na manhã de hoje o prefeito Paulo Carvalho conseguiu comprar 20 balas de oxigênio na cidade de Santarém (PA). Além de Santarém, Faro também costuma comprar suprimentos de oxigênio em Manaus, no Amazonas. "Ambas as cidades estão em crise. A demanda é maior que a quantidade, porque a produção está comprometida", diz Carvalho, referindo-se à crise na empresa White Martins, fornecedora de oxigênio hospitalar na região oeste do Pará.

Prevendo o aumento de casos da doença, a prefeitura local aumentou o número de leitos, passando de seis para 30. Segundo o médico da Unidade Básica de Saúde de Faro Yordanes Peres, o oxigênio recebido hoje garante apenas dois dias de tratamento dos pacientes internados. "Nós estamos vivendo uma crise, na contramão para tentar salvar vidas. Estamos trabalhando 24 horas para isso", explicou.

Na semana passada, o Governo do Pará proibiu a circulação de embarcações vindas do estado do Amazonas em território paraense. O fechamento da fronteira segundo o governador Helder Barbalho foi uma medida preventiva para evitar o contágio pela covid-19.

Em nota, a Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública) informou que no Pará duas empresas são responsáveis pelo fornecimento de oxigênio, White Martins e Air Liquide. Somente a empresa White Martins produz atualmente 58 mil m³ por dia, quantidade suficiente para o abastecimento de todo o estado. A Sespa esclarece, ainda, que é responsabilidade das secretarias municipais de Saúde a manutenção de contratos e a aquisição do produto para abastecimento local.

O órgão também explicou que caminhões com 159 cilindros de oxigênio chegaram ontem a Santarém. "De lá, eles foram distribuídos para as cidades de Oriximiná (79), Terra Santa (30), Faro (20) e Juruti (30), em caráter preventivo", informou a secretaria.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado na primeira versão, o número de leitos aumentou em cinco vezes, e não triplicou. A informação foi corrigida.

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