Governo deve abrandar projeto sobre união gay na Itália

ROMA, 23 FEV (ANSA) - Os senadores do governista Partido Democrático (PD) chegaram a um acordo para reescrever o projeto que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo na Itália sem o artigo 5º, que estendia aos homossexuais o direito de registrar o filho do parceiro, a chamada "adoção de enteado".   

A nova abordagem da legenda do primeiro-ministro Matteo Renzi não foi submetida a votação interna, mas, segundo fontes da sigla centro-esquerdista, deriva de um consenso entre quase todos os seus senadores. A decisão foi tomada após o PD e o premier perceberem que não teriam votos suficientes para aprovar o texto no Senado.   

Com isso, foi preciso "abrandar" a norma para atrair o apoio do partido Nova Centro-Direita (NCD), que integra a base aliada, e até mesmo de legendas de oposição, como o Forza Italia (FI), de Silvio Berlusconi. O governo deve apresentar o novo texto ao Senado nesta quarta-feira (24) e submetê-lo ao voto de confiança no dia seguinte.   

Essa manobra impede a apresentação de emendas pelos senadores, evitando obstrucionismos, e condiciona a continuação do atual gabinete no poder à aprovação do projeto. "Renzi escolheu se entregar à NCD e isso é um erro", declarou o senador Miguel Gotor, que faz parte da minoria interna do PD que é crítica do primeiro-ministro.   

Já Renzi reconheceu que a nova linha adotada pelo seu partido não é a melhor em relação às expectativas, mas ressaltou que é preferível ter "um pedaço" hoje do que não ter nada. "É melhor aprovar logo a lei, do contrário haverá o risco de paralisia", disse. A expectativa agora é que o PD apresente outro projeto para tratar da "adoção de enteado", mas as chances de sucesso são mínimas.   

"O tema da adoção é muito complicado, nem todos pensam da mesma maneira e é preciso respeitar um pouco mais as opiniões dos outros. Não é um tema sobre o qual uma pessoa carrega a verdade no bolso", acrescentou o primeiro-ministro. Atualmente, gays não podem adotar crianças na Itália - e nem se casar -, e a lei sobre união civil abriria uma pequena exceção, com a possibilidade de homossexuais registrarem os filhos de seus parceiros, mas apenas na ausência do outro pai biológico.   

No entanto, em um país fortemente católico e com o Vaticano dentro de sua capital, a proposta sofreu muita resistência de partidos de oposição, dos grupos conservadores que fazem parte da coalizão de centro-esquerda de Renzi e até mesmo da ala católica do PD.   

A própria Santa Sé, por meio de seu secretário de Estado, Pietro Parolin, já celebrou a retirada da menção à "adoção de enteados" do projeto. "Me parece ser a hipótese correta", disse o religioso, antes de cobrar que o novo texto da lei não equipare os direitos da união civil aos do matrimônio, como ele prevê.   

(ANSA)
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