No bazar de Teerã, dólar preocupa mais que eleições

Por Elisa Pin e Mojgan Ahmadvand TEERÃ, 26 FEV (ANSA) ? Diante da entrada do principal bazar de Teerã, uma pequena multidão se reúne. Alguns homens arriscam a subir em uma plataforma para gritar, enquanto outros respondem ferozmente do chão. A polícia está a uma curta distância. Não se trata de um enfrentamento entre facções reformistas e opositores, mas sim, de um mercado negro de dinheiro, onde se vende e compra dólar à luz do dia. ?Somos nós os donos da nação?, afirmam. Nos bazares de Teerã, que atraem dezenas de comerciantes da capital iraniana, a preocupação maior é com o câmbio e as possíveis flutuações do dólar, e não com as eleições iniciadas nesta sexta-feira (26) para renovar o Parlamento e a chamada Assembleia dos Especialistas, responsáveis por nomear o líder supremo do país.   

Com poderes limitados, não se esperam grandes novidades do Legislativo eleito, com exceção de mudanças na política econômica, já que o Irã vive um momento de abertura política graças ao acordo nuclear com as potências ocidentais e a retirada de sanções financeiras.   

?50% dos comerciantes dos bazares não vão votar, e os outros 50% se dividem entre idosos, historiadores, simpatizantes dos conservadores e jovens, que são mais propensos a apoiar os reformistas?, disse à ANSA Aghil, de 30 anos, vendedor de eletrodomésticos. Os bazares têm um papel importante na história do Irã. Sua aliança com a ala xiita decretou o fim do regime do xá. Mesmo que sejam menos poderosos hoje que em 1979, os bazares de Teerã continuam controlando um terço das vendas de todo o país e determinando o preço dos produtos. Ao ser questionado sobre se estava preocupado com a concorrência provocada pela abertura econômica do presidente Hassan Rohani, Aghil, que apoia os reformistas, respondeu: ?Não, ao contrário.   

A economia iraniana está paralisada e necessita se recuperar, precisa de investimentos. A reconexão com o sistema bancário mundial nos permitirá usar outra vez os cartões de crédito, o que é um instrumento vital?. Com otimismo, Aghil também disse que ?os comércios e bazares não correm nenhum risco com a abertura dos mercados?. ?Somos uma instituição da sociedade iraniana?, ressaltou. O bazar de Teerã, praticamente uma cidade dentro de outra, com inúmeros hoteis, escolas islâmicas e até uma mesquita, tem recebido um grande público nos últimos dias devido à proximidade com Nowruz, o Ano Novo local, celebrado em 21 de março. ?Com o acordo nuclear, a situação econômica parece estar melhor?, afirmou Adel, de 28 anos, proprietário de uma floricultura. ?Dizem que é preciso esperar alguns meses para saber se a situação mudará ou não. Certamente, a estabilidade do dólar é um fator determinante para nós, para as importações e exportações. A abertura a investimentos estrangeiros será importante para o crescimento do país?. Apesar de apoiar a conjuntura atual, Adel confessou que não irá às urnas. ?A política é algo sujo da qual não se pode esperar nada?, criticou. Fora do bazar, entre jovens empreendedores iranianos, a reação aos comícios é positiva e a expectativa por mudanças econômicas predomina. ?Se o novo Parlamento apoiar a política de abertura do governo, será melhor para todos nós?, disse à ANSA Mohammad Pir Hayati, diretor-geral da Esqid Shaleh Company, empresa de importação de materiais médicos. Sholeh Alavi, representante de uma companhia de assistência de computadores, concordou, explicando que as sanções contra o Irã afetou o setor tecnológico. ?Espero que o novo Parlamento retire a maioria conservadora?. (ANSA)
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