Papa lava pés de refugiados; confira as histórias de vida

Em Roma

Como parte das celebrações de Páscoa, o papa Francisco lavou os pés de 11 refugiados nesta quinta-feira (24) e relembrou os atentados terroristas de Bruxelas durante seu discurso de homilia no centro de acolhimento de imigrantes da cidade de Castelnuovo di Porto, na Itália.

"Há dois dias, presenciamos um gesto de guerra, de destruição em uma cidada da Europa. Atrás deste gesto, há outras coisas, que são os que financiam, fabricam e traficam armas", disse o líder católico. Para contrapor a ideia do atentado terrorista, Francisco usou como exemplo a missa que celebrava no centro de refugiados, onde "homens e mulheres de diversas religiões se reconhecem como irmãos e querem viver em paz".

Hoje, no momento em que eu imitarei os gestos de Jesus e lavarei os pés de vocês, todos nós estaremos fazendo um gesto de fraternidade e dizendo: 'somos diferentes, temos diferenças culturais e religiosas, mas somos irmãos e queremos viver em paz."

Os atentados terroristas de Bruxelas ocorreram no dia 22 de março e atingiram o aeroporto da capital belga e a estação de metrô Maelbeek. Os ataques deixaram 31 mortos e 300 feridos, e foram assumidos pelo grupo Estado Islâmico (EI, ex-Isis), que atua na Síria e no Iraque, onde tentam fundar um califado baseado na sharia (lei islâmica). Para isso, o grupo adota técnicas extremistas, como perseguições e decapitações contra todos que não forem muçulmanos sunitas.

Fora de Roma

Pela primeira vez na história da Igreja Católica, o rito de lava-pés foi realizado fora de Roma. Ao todo, Francisco tocou os pés de três muçulmanos, um hindu, três coptas e cinco católicos. Além dos 11 refugiados, o Papa lavou o pé de uma funcionária do centro de acolhimento. Das 12 pessoas, quatro eram mulheres.

O centro de acolhimento de Castelnuovo abriga 892 pessoas de 25 países diferentes, sendo 849 homens, 37 mulheres e sete crianças. Cerca de 80% dos moradores do local são pessoas com idades entre 19 e 26 anos. Lá também mora uma família iraquiana de quatro gerações - bisavó, avós, filhos e netos. Segundo dados da própria instituição, 554 moradores do local são muçulmanos, 337 são cristãos e dois são hindus.

Conheça os refugiados que participaram da celebração de lava-pés

1)Sira Madigata, 37 anos, muçulmano, originário do Mali. Chegou ao centro de refugiados há dois anos, depois de passar pelo Niger e pela Libia. É casado, tem três filhos e trabalhava como contador.

2)Mohamed Alhalabi, 22 anos completados hoje, muçulmano, originário da Síria. Está no centro de refugiados há dois meses. Fugiu de seu país natal e desembarcou na ilha de Lampedusa, na Itália, em 11 de janeiro.

3)Khurram, 25 anos, muçulmano, originário do Paquistão. O jovem agricultor precisou atravessar sete países (Irã, Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Hungria e Áustria) até chegar à Itália em setembro de 2015.

4)Kunal, de 29 anos, hindu, nascido na Índia. Seguiu a mesma rota que Khurram.

5)Luchia Yrgalem, de 20 anos, copta originária da Eritreia. Trabalhava como barista antes de viajar pela Etiópia, Sudão e Líbia para chegar à Itália, há dois meses.

6)Kbra, de 22 anos, fez o mesmo caminho que Luchia e chegou à Itália em 5 de novembro.   

7)Lucia, de 20 anos, copta da Eritreia.

8)Irmãos Shadrach Osahon e Endurance, de 26 e 21 anos, nigerianos católicos. Ficaram separados por meses até conseguirem chegar, separadamente, à Europa.   

9)Miminu Bright, de 26 anos, estudante nigeriano católico.

10)Osma, de 22 anos, graduado em física, nigeriano católico.

11)Angela Ferri, de 30 anos, nasceu em Stigliano e trabalha no centro de refugiados. (ANSA)

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