Schiaparelli caiu em Marte por falha nos propulsores (2)

ROMA, 20 OUT (ANSA) - O módulo Schiaparelli, enviado pela missão Exo Mars 2016, caiu no solo de Marte e teve seu computador de bordo danificado, informou o coordenador de voo da Agência Espacial Europeia (ESA), Paolo Ferri, à ANSA nesta quinta-feira (20). Segundo o cientista, os propulsores do equipamento funcionaram por apenas três segundos. Essa era uma das piores coisas que poderia ter acontecido com o equipamento, já que os danos, provalvemente, não poderão ser consertados.   

"Os dados que temos nos dizem que a sequência de aterrissagem funcionou até o desprendimento da parte traseira do para-quedas.   

Naquele ponto, o ligamento dos propulsores funcionou apenas por três segundos, depois o computador de bordo decidiu apagá-los", acrescentou Ferri dizendo que "agora, supomos apenas que o módulo simplesmente caiu".   

Antes da confirmação da falha no equipamento de propulsão, Ferri já havia dito que não havia "um problema de comunicação" com o módulo. A constatação do problema foi possível graças aos dados da sonda Trace Gas Orbiter (TGO) que pousou em Marte e funciona corretamente, dando um sucesso "parcial" à missão.   

"Os dados do TGO são mais detalhados do que aqueles que chegaram do radiotelescópio de Pune e da sonda Mars Express. Foram registros durante a descida do Schiaparelli e contêm muitos parâmetros coletados em tempo real", acrescentou Ferri ao explicar que agora será analisado se houve um problema no computador de bordo ou apenas nos propulsores.   

Os especialistas do centro de controle da ESA em Darmstadt, na Alemanha, passaram a noite e a madrugada analisando os dados e, em nenhum momento, a Schiaparelli emitiu algum sinal durante uma das passagens da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da Nasa.   

O equipamento norte-americano, que está na mesma área onde o módulo passou, está tentando contato com o equipamento enquanto o telescópio Giant Metrewave Radio Telescope (GMRT), que fica em Pune, na Índia, tenta obter sinais do Schiaparelli em terra.   

"De acordo com os tempos previstos, isso [o problema] aconteceu na fase final, quando faltava menos de um minuto para o momento da chegada ao solo", disse ainda Ferri à ANSA.   

A Agência Espacial da Rússia (Roscosmos) informou que ainda "não perdeu as esperanças" de comunicar-se com o módulo. "Se o Schiaparelli fez uma aterrissagem 'mórbida' sobre a superfície, então, segundo sua programação, as baterias deverão dar energia ao veículo espacial por um período de três a dez dias, durante os quais será possível se comunicar com o módulo", declarou a Roscosmos ao jornal "Moscow Times" antes da confirmação do problema.   

- Sucesso 'parcial' Para o presidente da Agência Espacial Italiana (ASI), Roberto Battiston, a missão Exo Mars pode ser considerada um sucesso mesmo com a "angústia" sobre o Schiaparelli. A agência italiana foi a que mais contribuiu financeiramente para a missão e ajudou na produção dos equipamentos de alta tecnologia.   

"Nós tivemos sucesso, mesmo sendo um sucesso parcial. A sonda TGO foi um sucesso e é uma parte importantíssima da missão, necessária para a segunda fase, que levará um veículo [para Marte] em 2020", disse Battiston.   

O TGO foi enviado para analisar muitos parâmetros atmosféricos e será fundamental para guiar a chegada da próxima parte da missão em Marte, prevista para daqui quatro anos.   

"Para o módulo Schiaparelli, sabemos que ele funcionou corretamente na primeira fase de entrada [na órbita de Marte] e que ele enviou dados às sondas que o seguiam. De qualquer maneira, é um sucesso parcial porque os dados foram enviados, e isso é o mais importante", ressaltou o italiano.   

- A missão: A missão ExoMars 2016 tem como objetivo buscar sinais de vida do tipo bacteriano no planeta. A operação é realizada sob controle da Agência Especial Europeia (ESA), direto de seu centro em Darmstadt, na Alemanha, e ocorre em conjunto com a agência russa Roscosmos e com grande participação tecnológia da Itália.   

É a primeira vez que um aparelho espacial europeu atravessa a atmosfera de Marte em uma descida de seis minutos, durante a qual também serão coletados dados sobre o planeta.   

O módulo Schiaparelli se desprendeu há três dias do satélite Trace Gas Orbiter (TGO) e permaneceu em modo de hibernação até a descida a Marte para economizar energia. Minutos antes de começar a entrar na superfície do planeta, seu computador de bordo foi acionado e religado. Porém, ele não enviou mais sinais cerca de um minuto antes do pouso.   

A missão é dedicada ao astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli, autor do primeiro mapa completo de Marte. A Agência Espacial Italiana (ASI) foi o principal contribuinte da missão, com 350 milhões de euros, que representam 32% do valor total. (ANSA)
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