A pedido da Itália, UE revisará operação no Mediterrâneo

BRUXELAS, 11 JUL (ANSA) - A Agência Europeia de Guarda de Fronteira e Costeira (Frontex) determinou nesta terça-feira (11) a revisão da operação "Triton", responsável pelo resgate de migrantes forçados no mar Mediterrâneo Central, entre Itália e Líbia.   

A medida era um pleito do governo italiano, que já recebeu mais de 85 mil deslocados externos em seus portos em 2017, um crescimento de quase 10% em relação ao mesmo período do ano passado.   

"Foi acertado que será estabelecido sem demora um grupo de trabalho para identificar o que deve ser revisto no conceito operacional da Triton", declarou Giovanni Pinto, líder da delegação da Itália que participou da reunião da Frontex nesta terça, em Varsóvia, na Polônia.   

Uma das mudanças exigidas por Roma é a abertura dos portos de outros países para navios que resgatam pessoas no Mediterrâneo Central - atualmente, esses indivíduos são levados exclusivamente para a Itália, concentrando em uma única nação o peso do primeiro acolhimento a migrantes forçados.   

Mas a proposta encontra resistência em quase todo o restante da União Europeia, inclusive na França, país mediterrâneo cujo presidente, Emmanuel Macron, que fora eleito com uma postura de "braços abertos" a deslocados externos, já rechaçou oferecer seus portos para pessoas socorridas no mar.   

A reunião da Frontex foi pedida pela própria Itália, que vem endurecendo o discurso contra os outros Estados-membros da UE, e também determinou que os países "reforcem" a operação Triton.   

Além disso, a agência ainda aumentará sua ajuda ao país na repatriação de imigrantes ilegais, na vigilância de seu litoral e na elaboração de um código de conduta para ONGs que atuam no Mediterrâneo.   

Essa mudança de postura de Roma se deve também ao ritmo lento do programa de realocação de solicitantes de refúgio da União Europeia. Aprovada há quase dois anos, a iniciativa prevê a redistribuição de 39,6 mil pessoas acolhidas em solo italiano, mas até agora só remanejou 7,4 mil. Alguns países, como Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia, que formam o grupo Viségrad, não receberam uma pessoa sequer.   

A Itália é atualmente a principal porta de entrada para migrantes forçados na UE, e a rota migratória do Mediterrâneo Central é a mais fatal do mundo, com 2,2 mil pessoas mortas ou desaparecidas apenas em 2017, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). (ANSA)
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