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Secretário de Cultura copia ministro nazista em discurso

17/01/2020 10h56

SÃO PAULO, 17 JAN (ANSA) - O secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, divulgou um vídeo em que usa frases de um discurso de Joseph Goebbels, ministro responsável pela propaganda nazista no regime de Adolf Hitler.   


O vídeo em questão foi publicado para apresentar o "Prêmio Nacional das Artes", que financiará projetos culturais em sete categorias diferentes, de óperas a histórias em quadrinhos.   


Em determinado trecho da gravação, Alvim diz: "A arte nacional da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada".   


As frases são semelhantes a um discurso feito por Goebbels, o grande ideólogo da propaganda nazista, para diretores teatrais em Berlim, em 1933.   


"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse Goebbels na ocasião.   


O trecho está em uma biografia escrita pelo historiador alemão Peter Longerich e publicada no Brasil em 2014, pela editora Objetiva. O restante do discurso de Alvim é marcado pela retórica nacionalista e pela defesa de uma cultura baseada na "pátria", na "família", na "coragem do povo" e em sua "profunda ligação com Deus".   


"As virtudes da fé, da lealdade, do autossacrifício e da luta contra o mal serão alçadas ao território sagrado das obras de arte", acrescentou o secretário. Em seu perfil no Facebook, Alvim disse que houve apenas uma "coincidência retórica" entre seu pronunciamento e o discurso de Goebbels.   


"Todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a arte brasileira, e houve uma coincidência com uma frase de um discurso de Goebbels... Não o citei e jamais o faria", justificou, acrescentando que a "frase em si é perfeita".   


No Twitter, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que o secretário de Cultura "passou de todos os limites". "É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo", ressaltou. Até o guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, criticou Alvim.   


"É cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça", escreveu o ex-astrólogo no Facebook. (ANSA)
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