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Rússia critica pressa de alemães sobre envenenamento de Navalny

25/08/2020 10h54

MOSCOU, 25 AGO (ANSA) - O porta-voz do governo da Rússia, Dmitri Peskov, criticou nesta terça-feira (25) a "pressa" dos médicos alemães de apontarem que o líder da oposição do país, Alexei Navalny, foi envenenado e descartou abrir uma investigação sobre o caso neste momento.   

"A análise dos nossos médicos e dos médicos alemães concordam completamente, mas as conclusões são diferentes. Não entendemos essa pressa por parte dos colegas alemães", disse Peskov à imprensa do país.   

O envenenamento ou não do opositor russo vem sendo motivo de ataques entre a família do advogado de 44 anos e os médicos do hospital de emergências de Omsk, que atendeu Navalny antes dele ser transferido para Berlim.   

A princípio, o diretor da unidade informou que haviam sido encontrados "traços de veneno" no corpo do político, fato desmentido pouco menos de 24 horas depois. A mudança, segundo o corpo médico, era de que uma substância química usada na fabricação de copos tinha sido encontrada "nas unhas e nas roupas" dele, mas não no organismo. O que levou Navalny para o coma, então, teria sido um "desequilíbrio de carboidratos, ou seja, uma desordem metabólica".   

Porém, nesta segunda-feira (24), os médicos alemães informaram que encontraram sim uma substância tóxica no corpo de Navalny, ainda não identificada, mas que seria um "inibidor da colinesterase, na prática, uma neurotoxina".   

O porta-voz de Vladimir Putin ainda afirmou que o governo "não está levando a sério" as acusações de que pode ter participação no "suposto" envenenamento. "São acusações que não podem ser verdadeiras de nenhuma maneira e são, diria, ruídos vazios. Por isso, não vamos levá-las a sério. Se o envenenamento de Navalny com qualquer substância em particular for estabelecido, isso sim virará motivo para a investigação", acrescentou.   

Apesar de não citar nominalmente, a fala foi uma resposta ao governo alemão que ontem, em uma nota oficial assinada pela chanceler Angela Merkel e pelo ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, cobrou que as autoridades russas investigassem e condenassem as pessoas envolvidas no caso.   

"Em primeiro lugar, é necessário identificar a substância para descobrir o que causou a sua condição e, então, haveriam pressupostos para uma investigação. Já o nível da colinesterase foi reduzido pelos médicos de Omsk e não há dados certos ainda sobre isso. [...] Isso pode ter sido causado por diversos fatores e é por isso, exatamente, o motivo pelo qual nem os nossos médicos, nem os alemães conseguiram ainda determinar o motivo. A substância não está disponível e, infelizmente, os testes não conseguiram revelá-la", disse ainda aos jornalistas.   

Após as declarações do porta-voz do Putin, a assessora de Navalny, Kira Yarmysh, ironizou a fala. "O fato que não foi aberto uma verdadeira investigação sobre o crime, e que o culpado não será encontrado, é evidente. Mas, todos nós sabemos quem foi. Mas, como Peskov falou, isso me deixa endiabrada", escreveu em seu Twitter.   

- O caso: Navalny foi internado às pressas no hospital de emergências de Omsk no dia 20 de agosto, após passar mal em um voo entre a Sibéria e Moscou. Assim que entrou na unidade hospitalar, ele foi levado para a unidade de terapia intensiva e ficou em coma.   

A principal suspeita é de que ele tenha sido envenenado ao tomar um chá no aeroporto antes de embarcar, já que passou mal nos primeiros momentos da viagem - não tendo consumido nada dentro da aeronave.   

Os próprios médicos que o atenderam na emergência informaram que a substância teria entrado no corpo do opositor russo através de um "líquido quente". Logo no dia seguinte à internação, o governo alemão se dispôs a receber Navalny em um hospital com infraestrutura para receber esse tipo de paciente.   

O russo chegou ao hospital Charitè, em Berlim, no domingo (23) e, apesar de suas condições críticas, os especialistas alemães disseram que ele não corre o risco de morrer. (ANSA).   

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