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Coronavírus

Um quarto da população da Itália voltará a viver sob lockdown

Duomo de Milão vazio durante a vigência da quarentena na Itália - Shutterstock
Duomo de Milão vazio durante a vigência da quarentena na Itália Imagem: Shutterstock

04/11/2020 18h50Atualizada em 05/11/2020 13h03

ROMA, 4 NOV (ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, oficializou hoje as novas medidas do governo para conter a pandemia do coronavírus Sars-CoV-2, que já infectou quase 800 mil pessoas e deixou cerca de 40 mil mortos no país.

Além de ações de âmbito nacional, como toque de recolher noturno entre 22h e 5h e fechamento de shopping centers nos fins de semana e feriados, o decreto de Conte divide a Itália em três áreas de risco: amarela (criticidade moderada), laranja (médio-alta) e vermelha (alta).

As 20 regiões do país serão distribuídas entre essas três zonas pelo Ministério da Saúde, de acordo com os índices de transmissão do Sars-CoV-2 e parâmetros como número de internações, ocupação de leitos de UTI e percentual de casos positivos nos exames efetuados.

A área vermelha, com cenário mais grave, inclui a Lombardia, região mais populosa do país, além do Piemonte, do Vale de Aosta e da Calábria. As três primeiras ficam no norte, e a última, no extremo-sul.

Nas zonas vermelhas, as regras serão semelhantes às do lockdown que vigorou entre março e maio: proibição de sair de casa a não ser por comprovados motivos de trabalho, necessidade ou saúde, veto aos deslocamentos intermunicipais e interregionais e fechamento de restaurantes, com exceção de serviços de delivery e retirada.

O comércio também será fechado, com exceção de negócios de gêneros alimentares e itens de primeira necessidade, enquanto atividades esportivas de grupo ficam suspensas. Já cabeleireiros poderão continuar funcionando.

Com isso, cerca de um quarto dos 60 milhões de habitantes da Itália voltarão a viver sob lockdown a partir da próxima sexta-feira (6), quando o decreto entra em vigor, englobando cidades como Milão e Turim.

"Se introduzíssemos medidas únicas em toda a Itália, produziríamos um duplo efeito negativo: não adotar medidas verdadeiramente eficazes onde há maior risco e impor iniciativas irracionalmente restritivas onde a situação é menos grave", disse Conte nesta quarta-feira.

Zonas amarela e laranja - A maior parcela do território italiano foi incluída na zona amarela, que contempla apenas as regras de âmbito nacional, como o toque de recolher noturno, o fechamento de museus e aulas totalmente a distância em escolas de ensino médio.

As regiões nesse regime são: Abruzzo, Basilicata, Campânia, Emilia-Romagna, Friuli Veneza Giulia, Lazio (onde fica a capital Roma), Ligúria, Marcas, Molise, Sardenha, Toscana, Trentino-Alto Ádige, Úmbria e Vêneto.

Já Puglia e Sicília ficam na "zona laranja", com proibição de deslocamentos interregionais e intermunicipais, a não ser por motivos de trabalho ou saúde. Nessas áreas, no entanto, não haverá proibição de sair de casa sem motivo, mas restaurantes também terão de suspender serviços de mesa.

Para ser considerada como "zona amarela", uma região onde a situação é mais delicada precisará apresentar estabilidade nos dados da pandemia por 14 dias. "Perguntam-me se sou otimista, mas não estou pensando em ceias de Natal, bailes, festas. É preciso respeitar as regras", declarou o premiê.

O decreto fica em vigor ao menos até 3 de dezembro, mas a prorrogação das medidas dependerá da evolução da curva epidemiológica. A Itália vem registrando recordes seguidos de casos diários da covid-19, e o número de mortes por dia - 352 nesta quarta - voltou ao patamar do fim de abril.

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