Torcedores no Zimbábue comemoram amistoso contra Brasil; veja fotos

Milhares de torcedores compareceram ao Estádio Nacional de Harare para o amistoso entre Zimbábue e Brasil, disputado nesta quarta-feira. Antes da partida, alguns torcedores falaram com a BBC Brasil sobre a partida, que é uma das mais aguardadas no país nos últimos anos.

O jogo provocou grande comoção no país. Na terça-feira, dezenas de pessoas compareceram ao aeroporto para receber a seleção. Nesta quarta, funcionários públicos trabalharam meio expediente. Alguns ingressos chegaram a ser vendidos por US$ 80, um preço caro para os padrões locais.

Confira abaixo os depoimentos de alguns torcedores sobre a partida, o futebol e a vida no Zimbábue.

EDMOND MUNTARINI (22 anos) - jogador do time de basquete de cadeira de rodas Edmond se diz o torcedor número um da seleção do Zimbábue. Ele conhece todos os jogadores e comparece a quase todas as partidas desde os seis anos de idade. Ele conta que no Zimbábue os cadeirantes podem assistir a todos os jogos gratuitamente. Hoje ele tem uma vista privilegiada: verá Brasil x Zimbábue da pista atlética, na mesma distância que o técnico Dunga assistirá ao jogo. Edmond diz que o maior jogo da história do Zimbábue, antes do amistoso desta quarta, foi nas Eliminatórias de 1995 para a Copa da África. Na ocasião, o Zimbábue precisava vencer o Egito no Estádio Nacional, o mesmo local do jogo contra o Brasil, para ir ao torneio. No entanto, os dois times ficaram no zero a zero e a seleção local não foi à Copa da África. Como torcedor número um, Edmond Muntarini acredita sempre na vitória do Zimbábue. Antes do jogo contra o Brasil, ele disse que a seleção de Dunga terá dificuldades para superar o time local, que costuma ter boas apresentações em casa. Ele aposta na vitória do Zimbábue, mas não arrisca um placar.

TATIANE DOS SANTOS (35 anos) - missionária brasileira Tatiane não é torcedora do Zimbábue. A brasileira de Joinville (SC) vive há 13 anos na África. O amistoso desta quarta-feira é a primeira vez que ela vai a um estádio de futebol. Ela conta que houve uma certa desorganização na venda de ingressos, que só ficaram disponíveis na véspera. Na terça-feira, ela precisou de cinco horas, entre filas e deslocamentos, para garantir o seu ingresso e o dos dois fillhos. "Hoje [quarta], até se o Zimbábue perder, eles já ganharam", disse Tatiane. Para ela, o clima de festa é algo inédito no futebol do país. Tatiane também diz que está gostando de viver no país. Morando há quatro anos no Zimbábue, ela afirma: "Não pretendo voltar para o Brasil." "No Brasil só se trabalha para pagar impostos. Aqui se paga muito pouco. E o clima é tranquilo." Ela conta que em 2008, na época da hiperinflação, as pessoas iam para o supermercado com sacolas de dinheiro, pois cada nota valia muito pouco. "Hoje [após a dolarização da economia] as coisa melhoraram, mas a vida ficou muito mais cara." WELLINGTON MAPEDZAMOMBE (42 anos) - operador do mercado financeiro Wellington é fã de futebol. Ele comparece quase todos os finais de semana ao Estádio Nacional de Harare para apoiar o Dynamos, o maior clube do país. Ele conta que em geral os ingressos para jogos de clubes custam entre US$ 2 e US$ 5 - um grande contraste com os preços cobrados para o amistoso contra o Brasil - entre US$ 10 e até U$ 80. A última vez que viu o Estádio Nacional tão cheio foi em 2003, quando o Zimbábue perdeu em casa por 4 a 1 para a Nigéria, em partida válida pelas Eliminatórias da Copa da África. "O importante do jogo contra o Brasil não é o resultado, mas a oportunidade do Zimbábue de expor o seu futebol ao mundo", diz Wellington, que veio ao estádio com a mulher Esther e o irmão Shepherd.

MARITA LANE (20), RURIMBA MUCHENA (19) e VINBAYI MUDZINGWA (20) - Universitárias As três torcedoras sabem bastante sobre futebol internacional. Elas acompanham a Liga dos Campeões, veem jogos do Manchester United e são fãs de Messi. Vinbayi diz que seu jogador favorito é Ronaldo. Apesar disso, elas acompanham pouco o futebol nacional e estão no Estádio Nacional. Elas dizem que além de ver os jogadores em campo contra o Zimbábue esperam ter uma oportunidade de conhecê-los e tirar algumas fotos após o jogo. "Eu vim hoje aqui porque sou fã de Daniel Alves", diz Marita.

AMOS MUSSANINGA (47 anos) - consultor O consultor Amos acredita que após o amistoso contra o Brasil, o futebol do Zimbábue não será mais o mesmo. "A partida contra o Brasil trará confiança ao futebol do país, tanto no nível de clubes como no de seleção", afirma. "Também servirá para mostrar ao mundo que há bastante vida no Zimbábue, não tempos apenas problemas." O próprio Amos jogava futebol na juventude e hoje é meio-campista no time da sua igreja. O consultor compareceu ao estádio ao lado do amigo Sydney Matare. Como a maioria em Harare, ambos torcem para o Dynamos, que em 2008 chegou à semifinal da Liga Africana de clubes, o equivalente da Liga dos Campeões europeus. Seu jogador favorito é o meia Ashley Rambanipas, do Dynamos e da seleção do Zimbábue.

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