Visita de princesa faz país gastar US$ 40 mil em banheiro que nem sequer foi usado

  • Samrang Pring/Reuters

    A princesa da Tailândia, Maha Chakri Sirindhorn, em visita ao Camboja

    A princesa da Tailândia, Maha Chakri Sirindhorn, em visita ao Camboja

Um luxuoso banheiro construído para atender às exigências da princesa da Tailândia, Maha Chakri Sirindhorn, causou um escândalo no sul da Ásia.

A princesa visita o Camboja por três dias para inaugurar um centro de saúde e participar de um jantar com o rei Norodom Sihamoni e, durante esse período, teve à sua disposição um banheiro que custou US$ 40 mil (cerca de R$ 158 mil), construído especialmente para ela.

As instalações estavam localizadas nas imediações do lago Yeak Lom, na província de Retanakiri, onde a princesa cumpriu duas horas de compromissos oficiais. Mas a construção desse "luxo" provocou indignação nos moradores, que reclamaram de tamanho investimento em um banheiro quando a população tem necessidades mais urgentes - mais de 60% da população rural cambojana não tem acesso a saneamento básico.

Para aumentar a polêmica, a imprensa local noticiou que a princesa sequer usou o banheiro durante a visita, apenas fotografou-o.

Autoridades locais alegam, porém, que a infraestrutura foi desmontada e que seus custos foram bancados pela família real tailandesa.

Segundo informações do jornal Cambodia Daily, o banheiro tinha cerca de oito metros quadrados e sua obra foi feita em duas semanas pela empresa Siam Cement Group (SCG) com materiais exclusivamente tailandeses.

"Gastaram mais de US$ 40 mil na construção", afirmou Vem Churk, chefe do comitê do lago Yeak Lom, citando as cifras que foram fornecidas por funcionários da SCG.

Tin Luong, o chefe da comunidade, porém, disse que a construção deve ter custado entre US$ 20 mil e US$ 30 mil e destacou que "os materiais utilizados são muito modernos".

'Insulto'

A notícia do "investimento" feito no banheiro gerou reações diversas no Camboja, um país com graves problemas de saneamento.

Segundo informações do Ministério da Educação de Camboja, aproximadamente 33% das escolas do país sequer têm instalações sanitárias.

Em zonas rurais, como Ratanakiri, segundo organizações não governamentais citadas pelo jornal britânico The Guardian, a porcentagem é ainda maior: 80% das escolas não têm essas instalações.

"Os membros da realeza tailandesa sempre tentam criar a impressão de que levam uma vida simples e de que priorizam o povo, mas a construção desse banheiro tão caro no Camboja mostra a desconexão entre a propaganda real e a realidade", disse ao Cambodia Daily o jornalista Andrew MacGregor Marshall.

Ele, que também é autor do livro Um Reino em Crise: A Luta da Tailândia pela Democracia no Século 21, considerou a construção do banheiro um "insulto ao povo do Camboja".

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