Ministros que não deixarem governo devem sair do PMDB, defende Skaf

Adriano Brito - @adrianobrito - Da BBC Brasil em São Paulo

Presidente da Fiesp (federação das indústrias paulistas) e um dos principais porta-vozes pró-impeachment, Paulo Skaf defendeu nesta quinta-feira que os ministros de seu partido, o PMDB, deixem a legenda caso optem por não abrir mão de seus cargos.

"A minha opinião é que, uma vez que o PMDB rompeu e declarou que ninguém está mais autorizado a ocupar cargos no governo em nome do PMDB, cabe aos ministros saírem do governo ou saírem do PMDB", afirmou.

Nomes como Kátia Abreu (Agricultura) já manifestaram a intenção de permanecer na gestão petista.

Em conversa com jornalistas na sede da entidade, cujo prédio encravado na avenida Paulista virou ponto de referência nos protestos que pedem a saída da presidente Dilma Rousseff, Skaf afirmou que a Fiesp será contrária a qualquer iniciativa de um eventual governo Michel Temer (PMDB) que envolva aumento nos impostos.

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"Não terá o apoio da Fiesp e nem o meu próprio, pelo contrário. Meu apoio será total a um governo que possa entrar buscando eficiência, buscando melhor gestão, um governo com seriedade na sua administração e apertando o cinto, como fazem a dona de casa, as famílias, as empresas", afirmou.

No início do ano passado, quando o governo federal anunciou um ajuste fiscal que incluía a intenção de elevar a carga tributária, a entidade deu início a uma campanha chamada "Eu não vou pagar o pato", simbolizada por um gigante pato amarelo.

Com a evolução da crise, o pato se transformou também em um dos mascotes dos grupos favoráveis ao impeachment. Durante o ponto mais alto da crise política, no qual manifestantes permaneceram durante dias ininterruptos na frente da Fiesp, ele teve destaque no prédio ao lado de luminosos como "Renuncia já" e "Impeachment".

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Skaf refutou as acusações de que afastar Dilma seria o equivalente a um golpe.

"O que estamos vendo é a nação brasileira tomando um golpe na sua economia, no seu emprego, no fechamento das suas empresas. Um golpe no susto que (a população) leva todos os dias com a corrupção", afirmou.

Para ele, uma eventual queda da presidente, com a consequente chegada de Temer ao poder, poria fim a um cenário de "falta de confiança e credibilidade" no governo, fazendo com que investimentos represados, tanto nacionais quanto estrangeiros, sejam realizados ao país.

"Sem dúvida nenhuma, se isso acontecer, nasce uma nova esperança, uma nova confiança."

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Questionado pela BBC Brasil, ele disse que "de forma alguma" participaria, como ministro, de uma eventual gestão do PMDB.

"A minha missão até o final do ano de 2017 está aqui (na Fiesp). Então eu não tenho nenhuma intenção de sair daqui do meu cargo ou me licenciar para assumir cargo no governo", afirmou.

Segundo colocado na eleição para o governo de São Paulo em 2014, Skaf disse não acreditar que a população verá no afastamento do PMDB uma tentativa de se descolar de um governo do qual participa há 13 anos.

"O PMDB, a exemplo de muitos outros partidos, esteve na base do governo. Isso é uma verdade. Só que o Brasil é um regime presidencialista, e o presidente tem muito poder no Brasil. E o governo não estava com o PMDB nem com esses outros partidos. O governo estava sob o comando do PT e da presidente Dilma."

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A polêmica do pato

Nos últimos dias, uma polêmica envolveu o pato da campanha da Fiesp: como reportou a BBC Brasil,de acordo com um artista holandês, o pato é uma "cópia exata" de uma obra sua que percorreu diversos lugares do mundo, inclusive o Brasil . Ambos foram fabricados pela mesma empresa, como noticiou a BBC Brasil nesta quarta.

Skaf negou o plágio: "Se você perguntar para a fábrica que produziu, (ela) vai afirmar, como afirmou para nós, que são moldes completamente diferentes. Em segundo lugar, esse pato da nossa campanha foi inspirado naquele patinho que vem da década de 40, não tem nada a ver", afirmou.

"Todos nós, e todas as pessoas mais velhas que nós, quando eram pequenas tinham esse pato. Esse patinho não está patenteado em nome de ninguém", acrescentou.

"Se você representar uma vaca, ninguém pode chegar e dizer: a patente da vaca é minha. A patente de um pato que existe há muito tempo, há muitas décadas, ela não existe."

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