Entenda quem são os ministros e ex-ministros de Temer com problemas na Justiça

  • Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

    Gabinete de Temer enfrenta problemas

    Gabinete de Temer enfrenta problemas

Em pouco mais de um mês de governo, o presidente interino, Michel Temer, perdeu três de seus ministros por suspeitas de corrupção ligadas às investigações da Operação Lava Jato: Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência) e Henrique Eduardo Alves (Turismo) --este último na quinta-feira (16).

Mas eles não são os únicos na mira da Justiça. No final de semana, surgiram denúncias de que o ministro da Educação, Mendonça Filho, recebeu propina de uma empresa citada na Lava Jato, e um pedido de bloqueio de bens pelo Ministério Público do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, acusado de improbidade administrativa.

O próprio presidente interino tinha entrado, ao longo da semana, na longa lista de políticos suspeitos de corrupção após a delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, acusando Temer de ter negociado, em 2012, o repasse de propina de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita, então candidato à Prefeitura de São Paulo.

Pelo menos 11 dos 24 ministros nomeados inicialmente por Temer apareceram de alguma forma nas investigações do esquema de corrupção na Petrobras e empresas estatais. Alguns deles haviam sido ministros ou figuras-chave também no governo de Dilma Rousseff, como foi o caso de Henrique Alves e de Romero Jucá, que foi líder do governo do PT no Senado.

Para entender as suspeitas que recaíram e recaem sobre ministros do atual governo, a BBC Brasil preparou uma lista, começando com os três casos mais recentes.

1. Mendonça Filho (Educação)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que foram encontrados "indícios de possível recebimento de propina" pelo hoje ministro da Educação, paga por uma empreiteira investigada na Lava Jato.

Mendonça é suspeito de ter recebido R$ 100 mil em vantagem indevida disfarçada de doação eleitoral da construtora UTC na campanha de 2014, quando concorreu a deputado federal. O pedido de Janot foi feito em janeiro, mas só se tornou público nesta sexta-feira, após a retirada de sigilo de um dos processos que tramitam no STF.

O ministro negou qualquer ilegalidade. Segundo sua assessoria, ele foi procurado por interlocutores da UTC que ofereceram uma doação legal de R$ 100 mil e recusou a doação. Ele teria dito, porém, que a empresa poderia fazer a doação ao partido, se quisesse. Ele afirma que esta doação ao diretório nacional foi legal e está registrada nas contas do partido.

2. Henrique Eduardo Alves (ex-Turismo)

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) pediu demissão após seu nome aparecer na delação de Sérgio Machado. O ex-presidente da Transpetro afirmou que repassou ao ministro R$ 1,55 milhão de recursos ilícitos entre 2008 e 2014.

No dia seguinte à renúncia, foi revelado que a Lava Jato descobriu uma conta secreta que seria do ministro na Suíça. Janot denunciou o ex-ministro do Turismo ao STF pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por causa da conta.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a investigação identificou uma conta ligada a Alves com saldo de 800 mil francos suíços, o equivalente a cerca de R$ 2,8 milhões. Não são as primeiras denúncias que apareceram contra Alves. Já havia dois pedidos de investigação contra ele no Supremo.

O primeiro solicitava a inclusão de seu nome no inquérito principal da Lava Jato. O outro pedido se baseia em mensagens encontradas no celular do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro.

Nelas, o empresário discute com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha doações a Henrique Alves. A suspeita é de que o ex-ministro do Turismo tenha recebido dinheiro desviado da Petrobras como doação oficial de campanha. Alves nega ilegalidades. Ele disse que a suspeita sobre a conta da Suíça é uma "ilação" e que as doações que recebeu foram legais.

3. Eliseu Padilha (Casa Civil)

O atual ministro-chefe da Casa Civil é suspeito de ter empregado uma funcionária "fantasma" em seu gabinete quando era deputado federal. Segundo a revista Veja, o Ministério Público Federal pediu à Justiça Federal o bloqueio dos bens do ministro e a devolução de R$ 300 mil em ação de improbidade administrativa.

A ação é decorrente de uma investigação, iniciada em 2008, que apurou o suposto envolvimento de agentes públicos e empresários em desvio de recursos de merenda escolar no município de Canoas, no Rio Grande do Sul.

O nome de Padilha surgiu nessa investigação e, segundo a Veja, ele foi indiciado pela PF por formação de quadrilha. Mas o processo foi arquivado porque parte das provas foram consideradas ilegais.

O pedido de bloqueio de bens e de devolução de dinheiro ainda não foi aceito pela Justiça, que aguarda parecer da Advocacia-Geral da República (AGU) sobre o processo. Por meio das redes sociais, Padillha afirmou que a ação tem como base provas nulas e nega qualquer ilegalidade.

4. Sarney Filho (Meio Ambiente)

O ministro do Meio Ambiente foi citado na delação de Sérgio Machado, que aponta que ele recebeu R$ 400 mil como "vantagens ilícitas em doações oficiais" em 2010. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o ex-presidente da Transpetro entregou aos investigadores uma planilha com valores e datas em que aponta o pagamento ao filho do ex-presidente da República José Sarney.

Sarney Filho foi candidato a deputado federal pelo PV do Maranhão. Na planilha de Machado, o valor de R$ 400 mil ligado a Sarney Filho aparece ao lado da sigla "CC" - provavelmente uma referência à construtora Camargo Corrêa, investigada na Lava Jato. Em resposta ao jornal, o ministro chamou Machado de "monstro moral", "picareta" e "marginal". Ele negou as acusações.

5. Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo)

Homem de confiança de Michel Temer, o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) também é citado em mensagens de celular de Léo Pinheiro, da OAS, que fechou delação premiada na Lava Jato.

A PF suspeita, a partir da análise do celular de Pinheiro, que a empreiteira usava a influência do peemedebista (que foi ministro de Lula e vice-presidente da Caixa sob Dilma) para obter contratos no governo, e dava recursos em troca.

Também há rumores de que o nome de Geddel apareça na delação de Fábio Creto, ex-vice presidente da Caixa. Geddel nega irregularidades.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Jucá caiu com 12 dias de governo interino

6. Romero Jucá (ex-Planejamento) e Fabiano Silveira (ex-Transparência)

Romero Jucá foi o primeiro ministro de Temer a cair, com apenas 12 dias no cargo. O então ministro do Planejamento foi flagrado em gravação feita antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff dizendo que a troca de governo era necessária para "estancar a sangria" da Lava Jato.

Jucá é alvo de inquérito da operação, além de ser investigado por suspeita de desvio de recursos e crimes eleitorais. Já Fabiano Silveira, ex-titular da pasta da Transparência, foi exonerado após a divulgação de áudios em que critica a Lava Jato e supostamente orienta seu padrinho político e presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, a evitar complicações em interrogatórios sobre corrupção.

Além disso, ele fez críticas à forma como a operação estava sendo conduzida. Os dois também afirmam que não cometeram ilegalidades.

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