Voto no espaço, restrição a ateus e duelos proibidos: 10 curiosidades sobre as eleições nos EUA

  • Brian Snyder/Reuters

    2.nov.2016 - Mulher usar sandálias com adesivos da chapa da democrata Hillary Cliton, em Las Vegas, Nevada

    2.nov.2016 - Mulher usar sandálias com adesivos da chapa da democrata Hillary Cliton, em Las Vegas, Nevada

Os americanos estão se preparando para uma eleição fora do comum - e que trouxe à tona leis e práticas estranhas.

Em alguns Estados, há peculiaridades eleitorais cunhadas no decorrer das décadas.

Mas existem costumes que surgiram recentemente, mas já viraram tão parte das eleições quanto os tradicionais anúncios de campanha.

Conheça dez detalhes pouco explorados sobre a política americana - e sobre esta campanha presidencial.

1) Guerra ao álcool

Se por um lado não há mais leis em nível estadual proibindo a venda de álcool no dia da eleição, algumas cidades e condados mantêm a proibição em Estados como Indiana.

Lá, 18 cidades e sete condados têm regulações locais proibindo a comercialização no dia 8 de novembro.

A prática não seria considerada patriótica nos padrões de George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos.

Ao concorrer à House of Burgesses - uma espécie de Congresso da época - em 1758, ele gastou todo o seu fundo de campanha em álcool, doando 160 galões de bebidas para "comprar" eleitores e vencer a disputa.

Washington abriu uma enorme destilaria em Mount Vernon, no Estado de Virgínia, em 1797. Quando ele morreu, em 1799, ela era uma das maiores do país.

2) Banimento de ateus

Os Estados Unidos teoricamente separam Igreja de Estado, mas alguns Estados tentaram driblar a lei exigindo que os candidatos pelo menos acreditem em Deus.

No Texas, por exemplo, não é permitido fazer testes religiosos para ser elegível, mas é exigido que o candidato "reconheça a existência de um ser supremo", de acordo com um artigo de sua Constituição.

O Tennessee também tem uma lei parecida, que proíbe qualquer pessoa que negue a existência de um ser supremo de ocupar um cargo no departamento civil do Estado. Há outros locais com leis parecidas, como Carolina do Sul, Carolina do Norte, Mississippi, Maryland e Arkansas.

3) Adesivos eleitorais

Ainda não está claro se usar adesivos virou uma tendência nacional, mas os eleitores americanos frequentemente deixam um local de votação ostentando a frase "Eu votei".

Companhia de adesivos com base na Flórida, a National Campaign Supply diz ter criado o adesivo "original", hoje é usado no país inteiro. A empresa começou a imprimi-lo em nível nacional em 1986.

Alguns Estados e condados chegaram a criar seus próprios adesivos.

Os eleitores da Geórgia ganharam exemplares em formato de pêssego, em referência ao apelido do Estado e sua fruta oficial. Enquanto isso, cidades como Chicago baniram completamente os enfeites, citando gastos governamentais como justificativa.

Especialistas sugerem que a estranha tradição pode ter um efeito psicológico para diminuir o não comparecimento. Um estudo de pesquisadores das universidades de Berkeley, Harvard e Chicago publicado este ano apontou que muitos eleitores votam para dizer aos outros que o fizeram.

4) Cronômetro

O Estado de Indiana permite uma permanência de três minutos na cabine de votação durante as primárias e de apenas dois minutos durante as eleições gerais e municipais.

Mas somente um funcionário membro do comitê eleitoral pode retirar alguém da cabine, de acordo com Angela Nussmeyer, codiretora da Divisão Eleitoral de Indiana.

O Alabama dá aos eleitores quatro minutos para votar antes de um funcionário eleitoral perguntar à pessoa se ela precisa de ajuda, segundo as regras do Estado.

Se de fato precisar de ajuda, o eleitor ganha ao menos cinco minutos adicionais para votar. Caso não demande auxílio, porém, ganha apenas um minuto adicional.

Mas isso se não houver outro eleitor na fila - caso contrário, ele pode ficar lá o tempo que for necessário.

5) Banimento de 'idiotas'

A Constituição do Kentucky proíbe "idiotas e pessoas insanas" de votar - mas um juiz precisa determinar que alguém é incompetente e incapaz.

Os termos "idiotas" e "pessoas insanas" se referem a pessoas com deficiências mentais - é assim que elas eram chamadas na época da criação da regra - e continuam presentes em Estados como Ohio, Novo México e Mississippi.

"Nenhum idiota ou pessoas com insanidade devem ter o privilégio de ser um eleitor", diz o Artigo 5 da Constituição de Ohio. No entanto, um Tribunal de Justiça precisa determinar a incompetência.

Termos parecidos são usados nas regras do Mississippi, mas lá as pessoas são eliminadas das listas de eleitores se um tribunal os classificar como incompetentes, explica Leah Rupp Smith, secretária assistente de Comunicação do Estado.

Mas segundo a lei federal, uma pessoa não pode ser impedida de votar devido à "incompetência", exceto em circunstâncias muito específicas.

Pessoas com deficiência mental têm o direito de votar, mesmo que o façam sob tutela ou com alguma assistência, de acordo com a Aliança Nacional de Doenças Mentais.

Deficientes também têm o direito de receber ajuda de amigos, familiares ou cuidadores na hora de votar.

6) Votando várias vezes

Ao menos sete Estados permitem que os eleitores mudem de ideia caso tenham votado antes do dia da eleição. Considerando que cerca de 40% dos eleitores votaram antecipadamente este ano, essa lei chamou certa atenção durante a campanha.

O candidato republicano Donald Trump chegou a pedir aos eleitores em Wisconsin que votem de novo caso estejam sentindo algum remorso por apoiar sua rival Hillary Clinton.

O Estado permite que os eleitores mudem de ideia e troquem seus votos três vezes antes do dia da eleição - mas apenas um voto é válido.

O escrivão da cidade de Oshkosh Pam Ubrig disse à ABC News que o processo pode ser bem demorado. Há outros Estados com regulação similar, como Minnesota, Pensilvânia, Nova York, Connecticut e Mississippi.

7) Cães de aluguel

O NextGen Climate, um comitê político (PAC, na sigla em inglês) focado em mudança climática, planeja levar filhotes de cachorro a locais de votação em Iowa, Carolina do Norte, Pensilvânia, Nevada e New Hampshire para tentar atrair eleitores jovens.

O grupo teve a ideia quando percebeu que as taxas de registro e comparecimento de eleitores era maior onde voluntários traziam cachorros em comparação aqueles sem a campanha canina, segundo o site Business Insider.

O NextGen usou aplicativos populares como Pokemon Go e Tinder para atingir eleitores.

8) Duelos proibidos

Pode parecer antiquado desafiar alguém a um duelo, mas se alguém ainda o fizer, estará proibido de assumir um cargo em Tennessee.

E se alguma autoridade de fato participar de um, será punida e correrá o risco de perder o cargo.

9) Voto no espaço

Uma lei de 1997 do Texas - aprovada por deputados e assinada pelo então governador (e futuro presidente) George W Bush - criou um procedimento técnico permitindo que os astronautas votem a partir do espaço.

Os astronautas votam através de um e-mail seguro com credenciais específicas, segundo a Nasa. O voto é transmitido para o Centro de Controle de Missões Espaciais e, uma vez completo, enviado à Câmara Municipal para que seja registrado.

A astronauta Kate Rubins, que voltou à Terra em 30 de outubro, votou do espaço. Shane Kimbrough, por sua vez, pretende ir às urnas a partir da Estação Espacial Internacional.

10) Escolha sua Bíblia

Ainda que a Constituição americana não obrigue um presidente a fazer um juramento usando uma Bíblia durante sua cerimônia de posse, George Washington deu início à tradição ao usar sua Bíblia maçônica na posse.

John Quincy Adams usou um livro de Direito americano em 1825, enquanto Theodore Roosevelt não usou nenhuma obra em sua primeira posse, em 1902.

Mas outros presidentes americanos decidiram fazer o juramento usando Bíblias simbólicas ou escolhendo versos específicos ou passagens.

Franklin Roosevelt usou o mesmo verso para suas quatro posses: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine" (Coríntios).

Já o presidente Barack Obama fez o juramento da sua segunda posse com a Bíblia de Abraham Lincoln - para marcar o aniversário de 150 anos da Proclamação de Emancipação de Lincoln - e a Bíblia de Martin Luther King Jr., para comemorar o aniversário de 50 anos de sua marcha pelos direitos civis em Washington.

Conheça algumas curiosidades sobre as eleições americanas

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