Hillary x Trump: a 'mensagem do povo alemão' aos americanos que se tornou viral

  • Johan Franklin

    Meme atribuído "ao povo alemão" viralizou e gerou muita controvérsia nas redes

    Meme atribuído "ao povo alemão" viralizou e gerou muita controvérsia nas redes

"Sigam em frente, votem no cara que fala alto e odeia minorias, que ameaça oponentes de prisão, não dá a mínima para a democracia e diz que, sozinho, consegue dar um jeito em tudo. O que poderia dar errado?"

Esta mensagem, que compara a campanha do candidato republicano a presidente dos EUA Donald Trump com o Adolf Hitler da Alemanha da década de 1930, foi compartilhada por milhares de pessoas nas redes sociais nos últimos dias.

O homem que criou a publicação disse estar satisfeito por ter começado uma das "discussões mais civilizadas" das eleições nos Estados Unidos, que acontecem nesta terça.

O usuário do Twitter, que assegura se chamar Johan Franklin, publicou a mensagem aos americanos na última sexta-feira em nome do "povo alemão", perguntando aos americanos "o que poderia dar errado" caso votassem no candidato republicano.

A mensagem apareceu junto à hashtag #beentheredonethat ("já estive nessa situação e fiz isso", em tradução livre) e viralizou imediatamente em diversas redes sociais.

O caso levou alguns a criarem memes comparando Trump a Hitler. Mas também houve críticas à associação dos dois personagens.

Franklin, que é alemão e trabalha em San Diego (Califórnia), defendeu sua publicação em entrevista à BBC.

'Me assustei'

"Não teve tanto a ver propriamente com Trump, mas com o fato dele continuar ganhando seguidores, independente do que dizia ou fazia."

"Me assustei quando tentei conversar com seguidores de Trump dentro do meu círculo de amigos e colegas e comecei a enxergar paralelos com o que meus avós e outras pessoas mais velhas me contaram sobre o que aconteceu na Alemanha durante os anos 1930", continuou.

"A publicação se tornou popular quando foi compartilhada por um seguidor da democrata Hillary Clinton, rival de Trump."

Depois que o tuíte viralizou, Franklin explicou noutra mensagem por que havia feito a comparação: "Claro que não posso falar por toda a população alemã. Usei essa linguagem como forma de trazer drama e ênfase ao post".

Ele continuou, frisando: "Não dá para comparar Trump (ou quem quer que seja) ao monstro que foi Hitler".

"Mas vejo muitas similaridades na maneira como Trump e Hitler ganharam visibilidade e reuniram seguidores, apesar de tantos sinais reveladores de que nem tudo estava bem."

Johan Franklin
Neste segundo tuíte, Franklin declara que a comparação entre Trump e Hitler não é razoável

Reação negativa

Nem todos estiveram de acordo com a mensagem de Franklin.

Outro usuário da rede respondeu: "Interessante que você se tenha escolhido como porta-voz de todos os alemães."

Outros levantaram os problemas que a Alemanha enfrenta hoje, como a crise migratória. "E não deveriam votar em uma mulher que admira a (Angela) Merkel e manter as fronteiras abertas? Como funcionou isso para a Alemanha?", perguntou.

Franklin, que é profissional de tecnologia e vive entre Hamburgo (Alemanha) e Califórnia (Estados Unidos), disse à BBC que publicou a mensagem porque se preocupava com o clima de ódio que teria permeado a campanha presidencial e com o nível do debate criado nas redes.

Mesmo reconhecendo que sua postagem teve pouco impacto sobre os seguidores de Trump, ele disse estar satisfeito com o fato de ter gerado uma discussão. Mas afirmou que recebeu ameaças de morte de vários tuiteiros.

"Chegavam mensagens de pessoas preocupadas pelo mesmo motivo, mas que não se atreviam em falar sobre o tema em voz alta", acrescentou.

Franklin disse que cresceu com avós que compartilhavam uma "culpa coletiva alemã" por não terem conseguido deter o movimento nazista.

"Carregavam culpa por não terem podido frear Hitler, ainda que eu duvide que eles tivessem esse poder."

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