Macron e Le Pen vão disputar 2º turno na França, indicam projeções

O centrista Emmanuel Macron e Marine Le Pen, da extrema-direita, vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais da França, apontam pesquisas de boca de urna.

Segundo levantamentos encomendados pela imprensa local, ambos tiveram cerca de 23% dos votos.

Neste domingo, milhões de franceses foram às urnas escolher quem governará o país pelos próximos cinco anos, em um pleito considerado crucial para o futuro da União Europeia (UE) e do mundo.

Apesar da importância da votação, o índice de comparecimento foi ligeiramente mais baixo do que nas últimas duas eleições presidenciais (2007 e 2012): 69,42%, de acordo com o jornal francês Le Monde.

Diferentemente do Brasil, o voto na França não é obrigatório.

O segundo turno, que será realizado no próximo dia 7 de maio, permanece cercado de expectativa.

Isso porque o resultado pode levar ao enfraquecimento ou até mesmo ao fim da União Europeia e da zona do euro.

Macron defende a permanência da França no bloco. Já Le Pen apoia o chamado Frexit - a saída do país do mercado comum.

O tema teve destaque na campanha em meio à discussão sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da UE. A crise migratória no continente também levanta debates sobre a proteção das fronteiras.

A França, juntamente com a Alemanha, é um dos países fundadores da UE e chamada de "locomotiva" da construção do bloco.

Segundo a imprensa francesa, o resultado do primeiro turno impôs uma derrota histórica à esquerda.

A última vez que a esquerda deixou de ter um candidato no segundo turno foi nas eleições presidenciais de 2002, disputadas por Jacques Chirac (conservador) e Jean-Marie Le Pen (extrema direita e pai da atual candidata Marine Le Pen).

"É uma derrota moral para a esquerda", afirmou Benoît Hamon, candidato derrotado do Partido Socialista (PS).

Conheça, abaixo, as propostas de Macron e Le Pen.

Pró-Europa

Emmanuel Macron

O centrista - do movimento En Marche! (Em Movimento!), criado por ele há um ano - é considerado pró-europeu.

O jovem ex-ministro da Economia do presidente François Hollande, de 39 anos, foi um dos primeiros candidatos (e um dos raros) a ter ido a Bruxelas, sede das instituições europeias.

Novato na política, Macron nunca havia se candidatado a um cargo público.

"Eu falo sobre a Europa e defendo o projeto europeu. Há alguns anos, dizer isso seria um clichê. Hoje, é quase uma provocação", afirmou Macron, que é favorável a uma maior integração da zona do euro, com orçamento comum e um ministro da Economia para o grupo. Ele ficaria sob o controle de um parlamento da zona do euro, que reuniria parlamentares do bloco.

O candidato diz querer modernizar a Europa e prevê uma harmonização social (salário mínimo, direitos trabalhistas, seguro-saúde) e fiscal para empresas, também defendida por alguns de seus concorrentes.

Os impostos de empresas e direitos dos trabalhadores variam bastante entre os países europeus, o que encoraja a transferência de companhias entre eles e provoca inúmeras críticas sobre os efeitos perversos da globalização.

O social-liberal faz questão de frisar que não é "nem de direita nem de esquerda", apesar de ter integrado o governo socialista de Hollande, e é o único candidato favorável ao tratado de livre comércio entre a UE e o Canadá (CETA), que ainda deve ser ratificado pelos 28 países-membros do bloco.

Suas principais propostas são:

  • Exigir 'ficha limpa' de candidatos e proibir que parlamentares contratem familiares
  • Suprimir 120 mil vagas de servidores
  • Restabelecer o serviço militar obrigatório
  • Reduzir a proporção dos gastos públicos em relação ao PIB, com corte de 60 bilhões de euros (R$ 202 bilhões) durante os cinco anos de mandato
  • Implementar um plano de investimento de 50 bilhões de euros (R$ 169 bilhões), incluindo incentivos à formação profissional e à transição energética
  • Aumentar as pensões mínimas de aposentadoria em 100 euros (R$ 350,00) por mês.
  • Criar 15 mil vagas de prisão e contratar 10 mil policiais civis e militares
  • Criar mecanismo de controle de investimentos estrangeiros em setores industriais estratégicos
  • Lutar contra a otimização fiscal de grandes grupos de internet

Anti-Europa

Marine Le Pen

No extremo oposto, está Le Pen, da extrema direita. Ela julga a Europa responsável por todos os problemas da economia francesa, sobretudo o desemprego, que está na faixa dos 10%, e promete o Frexit e a volta do franco francês. Pesquisas indicam, no entanto, que 72% dos franceses são contra a saída da zona do euro.

A candidata disputa sua segunda eleição presidencial e atrai boa parte do eleitorado operário. Ela declarou que "a Europa vai morrer" caso seja eleita.

"A União Europeia vai morrer, porque os povos não querem mais", diz ela, que cita com frequência o Brexit.

Le Pen afirma que se vencer as eleições iniciará negociações para que a França volte a ter soberania orçamentária, territorial, legislativa e monetária. Ela também prevê a saída da França da zona Schengen, de livre circulação de pessoas.

Representantes de instituições europeias, que teriam preferência por Macron, veem com grande apreensão a eventual vitória da candidata da Frente Nacional. "Se Le Pen vencer, usarei roupa de luto", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Le Pen propõe um plebiscito sobre a saída da França da UE e da zona do euro e promete deixar a Presidência se os franceses votarem a favor da permanência no bloco.

Suas principais propostas são:

* Suprimir o 'direito de solo' para aquisição da nacionalidade francesa. Diferentemente do 'direito de sangue', o direito de solo é o princípio pelo qual uma nacionalidade pode ser reconhecida a um indivíduo de acordo com seu lugar de nascimento

* Retirar a nacionalidade francesa de pessoas com dupla nacionalidade investigadas por ligações com o islamismo radical

* Proibir o uso de símbolos religiosos em todos os espaços públicos e incluir o veto na legislação trabalhista

* Reimplantar a idade mínima para aposentadoria para 60 anos em vez dos 62 atuais

* Inscrever na Constituição a "prioridade nacional", com criação de impostos sobre novas contratações de trabalhadores estrangeiros

* Reduzir drasticamente a imigração legal de cerca de 200 mil pessoas por ano, atualmente, para apenas 10 mil

* Retirar a nacionalidade francesa de pessoas com dupla nacionalidade investigadas por ligações com o islamismo radical

* Reduzir o número de parlamentares, atualmente de 577 deputados e 348 senadores, para 300 e 200, respectivamente

* Criar uma taxa adicional de 3% sobre importações de países que praticam concorrência desleal, o chamado "protecionismo inteligente"

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos