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Em pior momento da pandemia, Bolsonaro critica 'mimimi' e diz que brasileiro tem que enfrentar vírus

04/03/2021 18h47

Em visita a São Simão (GO), presidente discursou contra fechamento de comércio e isolamento em casa: 'Atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para dentro de casa, porra', afirmou.

Um dia após o registro de novo recorde diário de mortes pela covid-19 no país, o presidente Jair Bolsonaro deu uma série de declarações dando a entender que o choro pelas vítimas é "frescura" e "mimimi" e classificando como "idiotas" aqueles que cobram na imprensa e nas redes sociais a compra de vacinas pelo governo.

Na quarta-feira (3/3), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) registrou 1.910 óbitos pela doença no período de 24 horas, o maior em um ano de pandemia, além de 71.704 novos casos de infecção pela doença. Já o boletim desta quinta (4/3) mostra 1.699 óbitos e 75.102 novas infecções documentadas no último dia, somando a um total de 260.970 mortes e 10.793.732 casos de covid-19.

Pelo 11º dia consecutivo, a média móvel em sete dias de óbitos cresceu, atingindo 1.353.

Nesta quinta, Bolsonaro voou de Brasília para São Simão (GO), onde participou da cerimônia de inauguração de um trecho da ferrovia Norte-Sul.

Em discurso transmitido pela TV Brasil, o presidente afirmou: "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas, respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?".

Ele disse também que o governo "nunca" se esquivou de buscar vacinas, mas que sempre priorizou a análise da Anvisa antes da liberação: "Tão logo a Anvisa começou a certificar vacinas, nós passamos a comprá-las".

Entretanto, em outro momento do dia, sem máscara e rodeado por apoiadores, Bolsonaro esbravejou contra a demanda por imunizantes: "Tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, (dizendo) 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem (vacina) para vender no mundo".

No discurso veiculado pela TV Brasil, o presidente se disse "castrado" em seu poder diante de políticas locais: "Governadores e prefeitos, repensem a política do fecha tudo. O povo quer trabalhar!"

"Até quando vamos ficar dentro de casa? Até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso", disse, depois se referindo ao fechamento do comércio como "frescura".

"Atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para dentro de casa, porra", afirmou, mais uma vez defendendo que a economia não pode parar. A mesma frase foi postada em sua conta no Twitter.

Em outro momento em sua visita a Goiás, falando a apoiadores, o presidente disse que seu governo está indo bem na gestão da pandemia: "Temos um problema que é o vírus. Tem que enfrentar, não adianta ir para debaixo da cama. Lamentamos as mortes, mas temos que conviver e vencer. O Brasil é um dos países que mais vacinam no mundo. Não tem o que falar de mim, falam agora que sou negacionista. Não tem o que falar, nosso governo está indo muito bem, graças a Deus".

Desde o início da pandemia, Bolsonaro já se referiu à covid-19 como uma "gripezinha", perguntou "e daí" ao ser confrontado com o número recorde de mortes no país e afirmou que "todos vamos morrer um dia".


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