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Fungo negro: rara infecção com alta letalidade afeta pacientes com covid e pode virar epidemia na Índia

Acredita-se que a infecção rara seja desencadeada pelo uso de esteroides em pacientes graves de covid - Getty Images
Acredita-se que a infecção rara seja desencadeada pelo uso de esteroides em pacientes graves de covid Imagem: Getty Images

21/05/2021 04h30Atualizada em 21/05/2021 10h16

Os governadores de estados indianos deveriam declarar epidemia após o aumento nos casos mortais de "fungos negros", disseram as autoridades de Saúde do país.

A infecção geralmente rara, chamada mucormicose, tem uma taxa de mortalidade de 50%. Sendo que algumas pessoas para serem salvas acabam tendo que ser submetidas a operações radicais como a retirada dos olhos ou do osso da mandíbula.

Mas, nos últimos meses, a Índia viu milhares de casos afetando pacientes de covid-19 recuperados e em recuperação.

Os médicos suspeitam que pode haver uma ligação com os esteroides usados para tratar a covid.

Os diabéticos correm um risco ainda maior, com médicos dizendo à BBC que o fungo parece atacar entre 12 a 15 dias após o paciente se recuperar da covid.

Ontem, o secretário adjunto do Ministério da Saúde da Índia, Lav Agarwal, escreveu aos 29 estados da Índia para pedir que declarem epidemia.

Com isso, o ministério poderá monitorar mais de perto o que está acontecendo em cada região e permitir uma melhor integração do tratamento.

Não está claro exatamente quantos casos ocorreram em todo o país, que atualmente enfrenta uma segunda onda mortal de covid-19, que tem causado dezenas de milhares de mortes.

Na semana passada, o secretário de Saúde de Maharashtra, Rajesh Tope disse que havia 1.500 casos da infecção no estado, que também é um dos mais afetados pela segunda onda de covid-19 na Índia.

Um hospital em Mumbai, capital de Maharashtra, informou à BBC que registrou 24 casos em dois meses, contra seis em todo o ano de 2020.

Os médicos também disseram à BBC como foram forçados a remover os olhos e os ossos da mandíbula de pessoas, na tentativa de impedir a propagação do fungo antes que atingisse o cérebro. Mas deixando o paciente permanentemente desfigurado.

O aumento de casos levou à escassez de anfotericina B, a droga usada para tratar a mucormicose, apesar dela ser fabricada por muitas empresas indianas. Isso também levou famílias a se voltarem para o mercado paralelo em desespero à procura do medicamento.

O que é mucormicose?

A mucormicose é uma infecção muito rara. Ela é causada pela exposição ao mofo mucoso, que é comumente encontrado no solo, plantas, esterco e frutas e vegetais em decomposição.

"É onipresente e encontrado no solo e no ar e até mesmo no nariz e no muco de pessoas saudáveis", disse Akshay Nair, um cirurgião oftalmologista de Mumbai.

O fungo afeta os seios da face, o cérebro e os pulmões e pode ser fatal em indivíduos diabéticos ou gravemente imunocomprometidos, como pacientes com câncer ou pessoas com HIV/Aids.

Segundo os médicos ouvidos pela BBC, o uso de esteroides é um tratamento que salva vidas de pacientes graves com covid-19 em estado crítico de saúde.

Os esteroides reduzem a inflamação nos pulmões e parecem ajudar a interromper alguns dos danos que podem ocorrer quando o sistema imunológico do corpo entra em atividade para combater o novo coronavírus.

Mas acabam por reduzir a imunidade e aumentam os níveis de açúcar no sangue em pacientes diabéticos e não diabéticos com covid-19.

Acredita-se que essa queda na imunidade possa estar desencadeando esses casos de mucormicose.

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