O que já se sabe sobre os atentados na Bélgica

Bernd Riegert (lpf)

Há cada vez mais evidências de ligação entre os atentados de Bruxelas e de Paris. Da fabricação de bombas às amizades juvenis, confira o que as investigações já revelaram e o que as autoridades ainda tentam desvendar.

Quatro terroristas, um fugitivo

Há uma semana, dois atentados abalaram Bruxelas. Os ataques no aeroporto internacional e no metrô foram executados por quatro cidadãos belgas de origem estrangeira. Dois deles detonaram os explosivos que carregavam no saguão do aeroporto internacional de Zaventem. A polícia busca um terceiro homem que teria participado do ataque. As autoridades divulgaram imagens das câmeras de segurança do aeroporto, que mostram um homem com chapéu escuro, óculos e um casaco branco. Os dois homens-bomba foram identificados com Najim Laachraoui e Ibrahim El Bakraoui, irmão do terrorista suicida que provocou a explosão na estação de metrô de Maelbeek, Kalid El Bakraoui.

Os dois irmãos estavam em contato com Salah Abdeslam, o único sobrevivente dos atentados de 13 de Novembro de 2015 em Paris e que foi preso em Bruxelas quatro dias antes dos atentados na capital belga.

Uma testemunha disse à DW, um dia após o ataque na estação Maelbeek, ter visto na plataforma do metrô um outro homem com uma mala suspeita, além de Kalid El Bakraoui. A mídia belga também especula que o terrorista não tenha agido sozinho.

Ligação entre Bruxelas e Paris

Najim Laachraoui desempenhou um papel importante tantos nos atentados em Paris quanto em Bruxelas. A suspeita é que ele tenha fabricado os cintos de explosivos para os terroristas da capital francesa e as bombas usadas na Bélgica. Nos esconderijos no bairro de Schaerbeek, em Bruxelas, onde as bombas foram fabricadas, foi encontrado o DNA de Laachraoui. Tanto ele quanto Abdeslam tinham contato com o homem considerado o mentor dos ataques de Paris: Adbelhamid Abaaoud, morto a tiros durante uma operação policial no subúrbio parisiense de Saint Denis, cinco dias após os atentados de novembro.

Abaaoud também teria tido contato com os autores dos atentados no Museu Judaico de Bruxelas, em 2014, numa igreja na cidade francesa Villejuif, em 2015, e no trem da empresa Thalys com destino a Paris, também no ano passado.

Busca por cúmplices

As autoridades belgas e francesas prenderam uma série de suspeitos após os atentados nas duas capitais. Em janeiro de 2015 foi descoberta em Verviers, na Bélgica, uma célula terrorista também ligada a Abaaoud.

No bairro de Molenbeek, em Bruxelas, três homens e duas mulheres foram presos, além de Abdeslam, quatro dias antes dos atentados na cidade. Nos últimos dias, mais suspeitos foram detidos e interrogados na capital e em outras cidades belgas.

Fayçal Cheffou, preso na sequência dos atentados em Bruxelas e apontado pela mídia como o "homem de chapéu" no aeroporto, foi liberado por falta de provas, mas ainda é investigado por atividades terroristas. Além dele, há mais um cúmplice da célula terrorista de Paris em fuga: Mohamed Abrini, suposto aliado de Abdeslam.

Atentado em Paris frustrado

A polícia francesa disse ter frustrado um atentado em Paris pouco depois dos ataques em Bruxelas. Na última quinta-feira, as autoridades prenderam Reda Kriket na periferia de Paris, suspeito de ligação com Abaaoud. Armas e explosivos foram encontrados na residência de Kriket.

Em Roterdã, na Holanda, a polícia prendeu um francês de origem argelina que supostamente pertencia à mesma célula de Kriket. Os dois teriam planejado um novo atentado em Paris. Um terceiro homem pertenceria ao grupo. Ele foi detido no bairro de Scharbeek na quinta-feira passada.

Perfil comum

Tanto Abaaoud quanto Abdeslam vêm do bairro de Molenbeek, em Bruxelas, e eram amigos desde a juventude. Os dois se uniram ao jihadismo na Síria. Ao menos dois dos nove terroristas envolvidos nos ataques em Paris retornaram à França e à Bélgica pela rota dos Bálcãs, disfarçados de refugiados. A maioria dos terroristas eram ou são cidadãos franceses e belgas, de famílias originárias do Magrebe.

Entre 40 e 50 pessoas integravam a rede de terroristas que se espalhou pela Bélgica e pela França. Cerca da metade já morreu, e ao menos dois estão em fuga. De dez a 15 estão em prisão preventiva. Ainda não se sabe quantos realmente agiram por trás dos atentados em Paris e Bruxelas, formaram novas células terroristas e recrutaram jihadistas. Somente da Bélgica, centenas de jovens partiram para a Síria para lutar pelo "Estado Islâmico".

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