Amazon enfrenta novas greves na Alemanha

Um dos maiores sindicatos do país luta há três anos por melhores contratos para os trabalhadores da empresa de vendas online, que se recusa a negociar. Adesão às greves é pequena.

O Verdi, um dos maiores sindicatos trabalhistas da Alemanha, trava uma dura batalha, que já dura três anos, contra a ramificação alemã da gigante de vendas online Amazon.

Os sindicalistas tentam impor um contrato coletivo para os funcionários da empresa, que, por sua vez, se recusa a negociar qualquer concessão.

Esta, porém, é uma luta desigual. Apenas na Alemanha, a Amazon possui 25 milhões de clientes.

As convocações de greves feitas pelo Verdi são atendidas por às vezes 400, às vezes 700 pessoas, de um total de 11 mil funcionários.

A Amazon atende seus clientes através de nove centros de distribuição na Alemanha - no total, são 29 unidades em toda a Europa. Teoricamente, a facilidade de se locomover no país possibilitaria a realização de greves em qualquer lugar.

Entretanto, o chefe da ramificação alemã da empresa, Ralf Kleber, chegou a afirmar durante o inverno que "o gelo nas ruas nos dá mais dores de cabeça do que as ações do Verdi".

Mas o sindicato não desiste. Sua prioridade é o contrato coletivo de trabalho - ao qual a Amazon se opõe categoricamente - que implica em obrigações tarifárias por parte da empresa que, segundo o Verdi, trariam segurança e paz laboral, benéficas a ambas as partes.

Hubert Thiermeyer, secretário do Verdi em Munique, destaca um detalhe importante do acordo. Ele afirma que, no país de origem da empresa, os Estados Unidos, a Amazon se posiciona como uma distribuidora, enquanto a ramificação alemã seria apenas uma empresa de logística. Na Alemanha, os ganhos dos profissionais de logística ficam abaixo dos que trabalham na distribuição.

Equiparação salarial

O objetivo do Verdi é assegurar aos que trabalham nos centros de logística da Amazon ganhos equiparados aos dos trabalhadores das demais empresas de distribuição no país.

Desde 2013, porém, esse conflito se arrasta, somando cerca de cem dias de greve até agora. Pouco antes do feriado de Páscoa, houve diversas paralisações no estado da Renânia do Norte-Vestfália. Nesta terça-feira (29/03), o trabalho foi interrompido na Baviera e na cidade de Leipzig. Segundo a Amazon, porém, não mais do que 270 trabalhadores aderiram à greve.

O Verdi, entretanto, pôde comemorar algumas pequenas vitórias. Anteriormente, as greves atingiam apenas os funcionários do portal de internet da empresa. Desta vez, porém, o sindicato conseguiu a adesão de trabalhadores em sete centros de distribuição.

RC/dpa/rtr/afp

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