Terrorismo abala setor turístico na Turquia

Zhang Danhong

  • Osman Orsal/Reuters

    Atentado no aeroporto internacional de Istambul deixou pelo menos 36 mortos

    Atentado no aeroporto internacional de Istambul deixou pelo menos 36 mortos

O atentado no aeroporto de Istambul é mais um baque para o setor no país, já abalado nos últimos meses por outros ataques. E o clima de medo entre turistas pode afetar economia nacional como um todo. A metrópole Istambul tem fama de ser a porta de entrada para a Turquia, o encontro não só de dois continentes, como também de duas religiões mundiais.

Cerca de 1.500 anos atrás, o imperador romano Justiniano 1º mandou construir na então Constantinopla o templo de oração mais imponente do mundo cristão. Nove séculos mais tarde, os otomanos, ancestrais dos turcos, conquistaram a cidade e transformaram a edificação numa mesquita, a Hagia Sophia (sagrada sabedoria).

Em janeiro de 2016, nas proximidades do local de culto, 12 turistas alemães foram mortos numa explosão. Em consequência, caiu sensivelmente o número de turistas alemães no país mediterrâneo - sua terceira destinação preferida. Segundo a associação alemã de turismo DRV, a procura do país caiu 35% nos primeiros meses do ano. Em 2015, 5,6 milhões de alemães haviam visitado a Turquia, formando assim o grupo turístico mais numeroso.

Pouco antes dos atentados desta terça-feira (28/06) no Aeroporto Atatürk, em Istambul, o Ministério do Turismo em Ancara havia divulgado que em maio o total de turistas estrangeiros se limitara a 2,5 milhões - 34,7% menos do que no ano anterior. O recuo dos visitantes alemães circula na mesma faixa, e quase não se encontram mais turistas russos na Turquia: seu número caiu 92% em relação a 2015.

Agentes de turismo pessimistas

Deste modo, o novo ato de terrorismo, com 41 mortos, já encontra o turismo turco num estado bastante ruim. "Deve-se partir do princípio que o ataque atingirá ainda mais a já fraca atividade turística na Turquia", avalia Necip C. Bagoglu, representante em Istambul do Instituto Germany Trade and Invest (GTAI), uma agência do governo.

Os representantes do turismo alemão tampouco veem perspectivas de uma recuperação rápida do debilitado ramo econômico no país mediterrâneo. "Trata-se de um novo revés para a Turquia", declarou um porta-voz do conglomerado de viagens Thomas Cook na quarta-feira (29). A TUI, principal firma do setor na Alemanha, prevê uma queda de 50% nas reservas para o país.

O turismo é um dos principais setores econômicos turcos, perfazendo cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O turismo urbano na metrópole Istambul representa um papel importante, mas o principal foco de atração são as belas praias do país e seus preços acessíveis.

Da Grécia para a Turquia - e de volta
No auge da crise do euro, a Turquia acusou extraordinárias taxas de crescimento no setor, enquanto a concorrente Grécia se debatia com uma situação política insegura e o euro caro. Agora a onda de terror volta a direcionar o fluxo de turistas alemães da Turquia para a Grécia.

O representante da GTAI Necip C. Bagoglu acredita que os atentados terão efeitos negativos para toda a economia nacional como um todo, numa proporção que "cabe esperar para ver".

Na prática, porém, a economia turca ainda está em crescimento. No primeiro trimestre de 2016, o PIB apresentou um aumento real de 4,8% em relação ao ano anterior. Para o ano inteiro, os prognósticos são de um crescimento total de 3,5 a 4%.

Para uma nação industrial como a Alemanha, tais cifras soam bem positivas. Num país emergente como a Turquia, contudo, isso representa, um crescimento mediano. No início da década de 2000, quando o atual presidente Recep Tayyip Erdogan assumiu a chefia de governo, o crescimento econômico chegou à casa das dezenas.

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