Líder rebelde do Sudão do Sul refugia-se na RDC

Nuno de Noronha / Lusa

As Nações Unidas confirmam que Riek Machar, ex-vice-Presidente do Sudão do Sul, está na República Democrática do Congo (RDC). O líder rebelde, que estava desaparecido desde julho, foi entregue às autoridades congolesas.

"Não estamos em posição de dar detalhes sobre a sua localização concreta", revelou o porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Farhan Haq, em conferência de imprensa, na quinta-feira (18.08).

O responsável disse ainda que a ONU facilitou a transferência de Machar de um ponto para outro dentro da RDC. "Assim que a missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) foi alertada para a presença de Riek Machar na RDC, a missão contactou as autoridades deste país, que pediram à MONUSCO para facilitar a sua retirada e transferência em segurança".

No Sudão do Sul, a fação armada liderada por Machar tinha informado também na quinta-feira (18.08) que o ex-vice-Presidente se tinha refugiado num país vizinho, na sequência dos combates que estalaram, em Juba, em julho e que provocaram pelo menos 300 mortos.

A Missão de Estabilização das Nações Unidas na RDC facilitou a transferência do líder rebelde, mas Riek Machar ficou sob custódia das autoridades nacionais. Segundo o porta-voz da ONU, esta operação foi levada a cabo por razões "humanitárias", a pedido do governo de Kinshasa e com o acordo de Machar.

A ONU também ajudou na transferência da mulher de Riek Machar e de outras dez pessoas a partir de uma zona fronteiriça com o Sudão do Sul.

Estado de saúde de Machar

O porta-voz optou por não divulgar o estado de saúde do ex-vice-presidente sul-sudanês que, segundo a sua fação, sobreviveu a uma tentativa de assassínio. Farhan Haq garantiu que as forças internacionais estão a prestar-lhe todos os cuidados médicos necessários.

O porta-voz da ONU sublinhou, contudo, que as Nações Unidas nada tiveram a ver com a saída de Riek Machar do Sudão do Sul. "Ele tinha que ser levado de forma segura de um lugar para outro e considerou-se que a MONUSCO era a melhor forma de o transferir de uma zona para outra zona em segurança. Isto foi junto a uma área junto à fronteira com o Sudão do Sul", justificou.

Riek Machar fugiu de Juba após os confrontos entre unidades militares rivais na capital, em julho, que causaram pelo menos 300 mortos. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidos para os Refugiados (ACNUR), há pelos menos um milhão deslocados em condições difíceis neste país.

Machar foi substituído como vice-presidente do governo de unidade nacional por Taban Deng Gai. Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o destacamento de 4.000 capacetes azuis para a região.

O conflito no Sudão do Sul eclodiu em dezembro de 2013, quando o Presidente, Salva Kiir, denunciou uma suposta tentativa de golpe liderada por Riek Machar. Apesar da assinatura de um acordo de paz, em agosto do ano passado, a contenda está longe de estar resolvida. O Sudão do Sul, independente desde 2011, é o mais jovem país do mundo.

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