Trump se volta contra o Partido Republicano

Jean-Philip Struck

  • Mike Segar/Reuters

Magnata e cúpula republicana se afastam cada vez mais e elevam crise interna, que imprensa classifica de guerra. Trump chama correligionários de desleais, reclama da falta de apoio e diz que "se libertou dos grilhões"

Após passar os últimos dias atacando sua rival, a democrata Hillary Clinton, e se defendendo de acusações de machismo e misoginia, o candidato presidencial republicano Donald Trump resolveu abrir uma nova frente de conflito: o alvo, agora, é seu próprio partido. Nesta terça-feira (11), Trump publicou uma série de ataques em sua conta no Twitter contra colegas e o líder dos republicanos no Congresso, Paul Ryan, mergulhando a legenda numa nova crise, já chamada de "guerra civil" por setores da imprensa americana.

Em suas mensagens, Trump acusou Ryan de ser fraco e ineficiente. Ele também disse que os republicanos são "desleais" e acusou correligionários de sabotarem sua candidatura. "É difícil se sair bem quando Paul Ryan e outros dão apoio zero!", escreveu Trump. 

O candidato também sinalizou que, sem o apoio da cúpula, deve dar uma direção mais agressiva à sua campanha –que, na prática, está ficando cada vez mais distante da máquina republicana. "Que bom que me libertei dos grilhões e posso agora lutar pela América como eu quero."

"Os desleais republicanos são de longe mais difíceis que Hillary, a trapaceira [como Trump costuma chamar sua adversária]. Eles vêm para cima de todos os lados. Não sabem ganhar. Eu vou ensiná-los", disse Trump. "Os democratas mostraram que conseguem ser bem mais leais entre si do que os republicanos."

Deserções

Nos últimos dias, a candidatura de Trump vem sofrendo com uma série de deserções de colegas de partido, uma situação que é agravada pela onda de indignação causada pela divulgação de um vídeo, registrado em 2005, e no qual é possível ouvir Trump dizer que ataca mulheres sexualmente.

Vários republicanos, que já haviam mostrado insatisfação com controvérsias anteriores de Trump e apoiavam o magnata a contragosto, usaram o episódio para finalmente abandonar qualquer endosso. Ryan, por exemplo, anunciou na segunda-feira que não fará mais eventos de campanha para Trump –mesmo assim não retirou formalmente seu apoio.

Da nova leva de republicanos que abandonaram Trump fazem parte ainda personalidades como o senador John McCain e o ex-governador Arnold Schwarzenegger. Trump foi rápido nas respostas a McCain, disparando tweets contra o senador.

Segundo um levantamento do jornal The New York Times, passa de 150 o número de líderes republicanos que se recusam a apoiar Trump ou que retiraram recentemente seu apoio.

Consequências

De acordo com o jornal, as mensagens de Trump também parecem sugerir que ele está preparando terreno para culpar a cúpula do partido caso venha a perder as eleições, que estão marcadas para 8 de novembro.

Outros veículos de imprensa apontaram que a briga interna deve distanciar ainda mais a base, que majoritariamente continua apoiando o magnata, da liderança. Outra consequência da briga interna deve ser o enfraquecimento de várias candidaturas republicanas ao Congresso, à medida que eleitores apartidários, chocados com as controvérsias, forem se distanciando do partido, o que beneficia os democratas.

Apesar de contar com seus apoiadores fiéis, que ainda lotam seus eventos de campanha, Trump está atrás de Hillary na maioria das pesquisas nacionais. Um levantamento divulgado pela Reuters/Ipsos na terça-feira mostrou que o republicano está oito pontos percentuais atrás da democrata. Outras pesquisas destacam que o candidato conservador tem tido um desempenho ainda pior entre eleitoras do sexo feminino. Um levantamento divulgado pela revista Atlantic mostrou que Hillary está 33 pontos percentuais à frente de Trump entre as mulheres.

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