Obama e Shinzo Abe fazem visita histórica a Pearl Harbor

Premiê japonês oferece suas "sinceras e eternas condolências", mas não pede desculpas pelo ataque de 1941. Ele e o presidente dos EUA enaltecem o "poder da reconciliação" e a amizade entre os antigos inimigos de guerra.O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o presidente dos EUA, Barack Obama, realizaram uma histórica peregrinação a Pearl Harbor, nesta terça-feira (27/12), colocando coroas de flores num memorial em homenagem às vítimas de um ataque furtivo que, na época, provocou a entrada dos americanos na Segunda Guerra. Abe a Obama homenagearam os mortos num memorial construído sobre os restos do navio de guerra afundado USS Arizona. Abe se tornou o primeiro premiê japonês que visitou o memorial, uma peça central do local histórico. Os dois líderes depositaram uma coroa de lírios da paz e permaneceram solenemente em silêncio diante do santuário que leva os nomes dos mais de 2.400 americanos mortos na manhã de 7 de dezembro de 1941, quando aviões japoneses – torpedeiros, bombardeiros e caças – atacaram embarcações americanas atracadas na base do Havaí. Apenas cinco dos tripulantes do USS Arizona ainda estão vivos. Em resposta ao ataque japonês, poucos anos depois, os EUA lançaram duas bombas atômicas nas cidades de Hirshima e Nagasaki, matando mais de cem mil pessoas. Em seguida, Abe e Obama jogaram pétalas de flores na água. "Presidente Obama, povo dos Estados Unidos e as pessoas ao redor do mundo. Como primeiro-ministro do Japão, eu ofereço minhas sinceras e eternas condolências às almas daqueles que perderam suas vidas aqui", disse Abe. "Nunca devemos repetir os horrores da guerra." Abe afirmou que é preciso mostrar respeito até mesmo a um antigo inimigo. O premiê japonês falou também sobre o poder da reconciliação, que a aliança entre os dois países é uma "aliança de esperança" para o futuro e que o mundo precisa do espírito da tolerância. Abe, no entanto, não pediu desculpas pelo ataque de 75 anos atrás – assim como Obama não o fez quando visitou Hiroshima, em maio. "A visita de Abe é um lembrete de que feridas de guerra podem dar caminho à amizade", disse Obama. "Estados Unidos e Japão escolheram amizade e paz e nossa aliança nunca esteve mais forte. Esse gesto histórico [visita de Abe] mostra o poder da reconciliação." Obama, que está de ferias no Havaí, e o premiê japonês aproveitaram o encontro para discutir os laços entre os dois antigos inimigos na Segunda Guerra. O Japão espera apresentar uma forte aliança com os EUA em meio a preocupações sobre a expansão da capacidade militar da China. Além disso, o encontro também visava reforçar a parceria entre os dois países antes da posse do presidente eleito Donald Trump, cuja oposição ao Acordo Transpacífico (TTP, na sigla em inglês) e a ameaça de forças países aliados a pagar mais pelas tropas americanas estacionadas mundo afora levantou preocupações entre aliados como o Japão. Abe se reuniu com Trump, em novembro, e classificou-o de "líder confiável". A visita do premiê japonês a Pearl Harbor ocorreu meses depois de Obama ter se tornado o primeiro presidente dos EUA a visitar Hiroshima. Abe foi o primeiro chefe de governo do Japão a visitar o Memorial USS Arizona. Seis anos após a rendição japonesa na Segunda Guerra, o então premiê Shigeru Yoshida visitou Pearl Harbor, mas na época o memorial ainda não existia. PV/afp/rtr/ap

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