Polícia alemã nega ter agredido paquistanês preso por engano

"The Guardian" publica entrevista em que Navid D. diz ter sido agredido por policiais após prisão como suspeito do atentado de Berlim. Polícia nega, mas jornal sustenta sua versão.A polícia berlinense negou nesta sexta-feira (30/12) a acusação de que cometeu abusos contra o paquistanês que foi preso por engano após o atentado a um mercado natalino em Berlim, na semana passada. Numa entrevista publicada pelo jornal britânico "The Guardian", Navid D. diz ter sido agredido durante sua detenção e que teme por sua vida. Segundo o porta-voz da polícia Winfrid Wenzel, as declarações do paquistanês publicadas pelo jornal não são verdadeiras. "O homem não sofreu abusos de nenhum policial", destacou. A repórter do jornal, por sua vez, manteve a sua versão e disse que a entrevista foi gravada. Navid D. foi preso a cerca de dois quilômetros do local do atentado. Ao correr para pegar o metrô, ele foi abordado por policiais. A detenção foi baseada na descrição, dada por uma testemunha, do autor do atentado. Embora tenha negado participação no ataque, o paquistanês passou a noite em custódia e foi libertado no dia seguinte, após autoridades perceberem o engano. Segundo o Guardian, Navid contou que foi agredido por policiais berlinenses. O paquistanês teria dito que foi vendado e levado de uma delegacia para um outro lugar, que fica a cerca de 10 minutos. Dois policiais teriam pisado com o salto do sapato no seu pé, e um deles teria apertado seu pescoço com força. O jornal afirmou ainda que Navid contou que teve que tirar toda a roupa antes de ser fotografado. "Quando resisti, eles começaram a me bater". Três amostras do sangue dele teriam sido recolhidas pelos policiais. Ele alegou que o tradutor presente no interrogatório não falava balúchi, sua língua materna, mas urdu, que ele entende apenas um pouco. O paquistanês afirmou também que teme por sua vida e não se sente mais seguro na Alemanha. O paquistanês contou que durante o tempo que esteve detido recebeu apenas chá e biscoitos. Na primeira noite, foi obrigado a dormir algemado numa cama sem colchão, segundo o jornal. Polícia nega, jornal sustenta versão Após a publicação da reportagem, a polícia entrou em contato com o paquistanês, que confirmou que falou com um repórter do jornal numa pizzaria de Berlim e que a entrevista não contou com um tradutor profissional. Um colega de Navid, também do Paquistão, teria intermediado o diálogo. Segundo a polícia, Navid negou ter sofrido agressões ou maus-tratos durante o período que esteve detido e agradeceu pelo apoio recebido da polícia de Berlim após sua soltura. Policiais procuraram um novo abrigo para ele e conseguiram roupas, além de enviar todos seus pertences pessoais para o novo endereço, afirmou a polícia de Berlim. A polícia afirmou ainda ter acertado com Navid que ele deve entrar em contato logo caso se sinta ameaçado. O paquistanês teria negado também que houvera problemas durante o interrogatório devido à tradução. "Essa notícia nos entristece", afirmou Wenzel, acrescentando que a confusão na reportagem pode ter sido um problema de tradução, já que o amigo que acompanhou Navid na entrevista não falava bem inglês nem balúchi. Já a repórter do Guardian Kate Connolly, que conduziu a entrevista, disse que as declarações publicadas por ela estão corretas. Ela publicou no Twitter que, nesta sexta-feira, voltou a falar com o paquistanês, com a ajuda de um tradutor, e que ele teria dito a ela que a polícia o procurou, mas que as palavras foram "postas na sua boca" e não ditas por ele. "Foi uma entrevista que durou três horas e eu tenho gravada uma hora e meia", acrescentou Connolly. A matéria dela foi publicada com uma foto e o nome completo do paquistanês. CN/afp/dpa/ots

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