Operação Carne Fraca

O Brasil na imprensa alemã

Operação Carne Fraca é tema brasileiro mais comentado da semana. "Frankfurter Allgemeine Zeitung" pergunta que cara Robert de Niro deve estar fazendo agora, e "Tageszeitung" escreve que imagem do setor está arruinada.

Handelsblatt – Brasil teme por suas exportações de carne, 21.03.2017

"Há dias que detalhes desgostosos sobre matadouros dominam a mídia brasileira: papelão teria sido usado para a fabricação de embutidos. Ácido ascórbico teria dado uma aparência fresca à carne bovina estragada. Cabeças de porco teriam sido transformadas em salsichas. Os jornais televisivos se tornaram ainda mais intragáveis porque, para cada notícia, as empresas produtoras de carne mandavam difundir intermináveis contestações, nas quais negavam qualquer responsabilidade. Principalmente a JBS e a BRF usaram artilharia jurídica pesada. O escândalo é uma catástrofe para essas empresas."

Der Tagesspiegel – Carne estragada do Brasil, 21.03.2017

"Ainda na noite de domingo o presidente Michel Temer se esforçou para conter os estragos e convidou 33 embaixadores de importantes países importadores para comer numa churrascaria. Ele aproveitou para elogiar a qualidade da produção brasileira de carne e destacou que as acusações se referem a apenas um pequeno número de unidades. É incerto se carne estragada ou adulterada chegou até a Europa. 'No momento não há nenhum alerta sobre carne brasileira estragada no sistema de alerta rápido da Europa', comunicou o Ministério alemão da Alimentação e Agricultura."

Frankfurter Allgemeine Zeitung – Carne Fraca, 20.03.2017

"As pessoas se perguntam que cara Robert De Niro deve estar fazendo agora. O astro de Hollywood é o garoto-propagada mais famoso da gigante brasileira de carnes e salsichas JBS. Em anúncios de jornais e comerciais de TV para a linha de ponta Seara Gourmet, De Niro olha com cara de maroto para a câmera e petisca num prato com presunto parma. Parma brasileiro, que fique bem claro, ao qual o americano descendente de imigrantes italianos dá um ar europeu e internacional. Isso convém a uma empresa que, nos últimos anos, tornou-se a maior produtora mundial de produtos de carne e salsichas de todos os tipos e que vende seus produtos para mais de 150 países. A BRF, maior produtora de carne aviária do mundo, assegura em anúncios de página inteira nos jornais que sempre apostou na verdade e no respeito, na qualidade e na transparência, em 82 anos de história empresarial."

Die Tageszeitung – Papelão em vez de deliciosas salsichas, 20.03.2017

"Em sua ampla maioria, os brasileiros são amantes convictos da carne. Mas o estômago deles deve estar dando voltas diante das novas revelações sobre a indústria da carne. Operações trouxeram à luz um comportamento comum em parte do setor: quando a data de validade está vencida, a carne é simplesmente reempacotada e vendida. Cheiros nojentos são sufocados com produtos químicos cancerígenos, injeções de água inflam o peso de bifes, salsichas são enchidas com papelão. Para que nada seja descoberta, carne estragada é misturada com produtos frescos. (...) Em 2016, os exportadores brasileiros de carne finalmente conseguiram conquistar também o mercado dos Estados Unidos. Agora, porém, a imagem do setor está arruinada, depois que, na sexta-feira, o escândalo de corrupção foi revelado, depois de quase dois anos de investigações."

Outro lado

Em resposta à matéria publicada no jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, sobre a linha Seara Gourmet, JBS emitiu nota afirmando que a empresa "é anualmente auditada por missões sanitárias internacionais e por clientes". "No Brasil, há 2.000 profissionais dedicados exclusivamente a garantir a qualidade dos produtos JBS e das marcas Friboi e Seara. Todos os anos, 70 mil funcionários têm treinamento obrigatório nessa área".

A JBS diz ainda que "não há menção a irregularidades sanitárias da JBS" no despacho da Justiça, que "nenhuma fábrica da JBS foi interditada" e que "nenhum executivo da empresa foi alvo de medidas judiciais". Nas investigações, a empresa é citada por irregularidades no procedimento de Certificação Sanitária.

Sobre a procedência do presunto de para Seara Gourmet, a JBS esclarece "que as informações do jornal estão equivocadas". "Este produto é produzido exclusivamente na região de Parma (Itália) e possui o selo Denominação de Origem Protegida, que garante não só a origem 100% italiana do produto, como também o uso de apenas pernil suíno e sal marinho, sem uso de conservantes ou aditivos", diz a nota.

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