Assalto cinematográfico no Paraguai levanta suspeita de participação do PCC

Jean-Philip Struck

PF calcula que até 50 criminosos participaram do roubo a uma seguradora em Ciudad del Este. Dez são presos e outros três morrem em caçadas policiais.Um grupo formado por dezenas de homens armados protagonizou na madrugada desta segunda-feira (24/4) um assalto cinematográfico a uma empresa de transporte de valores em Ciudad del Este, na fronteira do Paraguai com o Brasil. A ação, que resultou em explosões, mortes, mais de uma dezena de carros incendiados, disparos e perseguição policial que atravessou a fronteira, foi classificada pela imprensa paraguaia como o maior roubo já registrado no país. Estimativas iniciais das autoridades apontavam que cerca de 40 milhões de dólares – em moeda americana, reais e guaranis – foram levados, mas a empresa apontou que o valor não passa de 8 milhões de dólares. Um policial morreu durante a ação e três moradores da rua onde fica o prédio ficaram feridos. Durante as caçadas aos criminosos, dez deles foram presos e três morreram. O Ministério do Interior paraguaio e a Polícia Federal brasileira calculam que até 50 criminosos participaram do assalto. Segundo a Polícia Federal, os suspeitos são brasileiros. O episódio levantou especulações sobre a participação da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a ação, 15 carros foram incendiados pelos criminosos próximos de postos policiais para provocar confusão. Explosivos também foram acionados em algumas ruas próximas, impedindo a aproximação da polícia. Segundo o Ministério do Interior, o arsenal dos criminosos superava a capacidade de resposta da polícia local. Houve pânico em parte da cidade. Algumas escolas chegaram a suspender as aulas durante a segunda-feira. O prédio atacado pelos criminosos pertence à transportadora espanhola Prosegur e fica a apenas 4 quilômetros da Ponte da Amizade. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a ação, que começou por volta de 0h30 desta segunda-feira (1h30 no horário de Brasília) envolveu o uso de explosivos para demolir as paredes do prédio, que sofreu danos pesados. Após pegarem os malotes, os criminosos enfrentaram policiais locais, mas se dividiram e conseguiram fugir. Pelo menos 12 deles seguiram para o Brasil. A perseguição foi então assumida pela Polícia Federal, que matou três criminosos e feriu outros dois na região de Itaipulândia, no Paraná. Novos enfrentamentos ocorreram na região ainda na madrugada desta terça-feira. Ao todo, dez suspeitos foram presos – o último no início da tarde desta terça-feira, em Cascavel, a 140 quilômetros do Paraguai. A PF apreendeu ainda sete quilos de explosivos, seis fuzis, sendo um deles de calibre .50 (usado para atacar veículos blindados e perfurar paredes), dois barcos e sete veículos – inclusive um carro da polícia paraguaia que havia sido roubado. Um malote foi recuperado com pelo menos 158 mil reais. Envolvimento do PCC O estilo do assalto tem muitas semelhanças com ações que ocorreram no Brasil em 2016. Em março do ano passado, criminosos atacaram a sede da Protege, em Campinas, no interior de São Paulo, e roubaram cerca de 50 milhões de reais. Em abril, na cidade de Santos, um caminhão derrubou o portão da sede local da Prosegur, a mesma empresa assaltada no Paraguai. Dois policiais foram mortos na ação, que resultou no roubo de 10 milhões de reais. Em entrevista a um jornal paraguaio, o ministro do Interior do Paraguai, Lorenzo Lezcano, afirmou que o método do assalto e a participação de brasileiros sugerem uma ação do PCC. "Tudo aponta que são integrantes do PCC", disse. Alguns policiais e promotores de São Paulo que investigam a atuação da facção e que foram ouvidos pela imprensa brasileira também reforçaram a suspeita. Já a Polícia Federal continua cautelosa e não confirmou a suspeita. Em 2016 já haviam surgido notícias de que o PCC estava se expandindo para o país vizinho. Em junho, o traficante brasileiro Jorge Rafaat Toumani, apelidado de o "rei da fronteira", foi executado numa emboscada no centro de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. A ação também teve uso de armamento pesado. Os assassinos usaram fuzis antiaéreos para perfurar o jipe Hammer blindado do traficante, que acabou morrendo no veículo. O corpo tinha 16 perfurações. Nos meses seguintes, a região registrou pelo menos 38 outras execuções de "soldados" do traficante falecido, como se um novo regime estivesse sendo imposto. A imprensa paraguaia apontou o PCC como suspeito. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os negócios da facção na região são comandados por Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, que seria o terceiro homem na hierarquia do PCC. O próprio Willians Herbas Camacho, o Marcola, o chefe da facção que está preso, refugiou-se no Paraguai nos anos 1990 após cometer uma série de assaltos. Em 2014, a sede da Prosegur em Ciudad del Este já havia sido alvo de criminosos. Na ocasião, um grupo de paraguaios cavou um túnel de 350 metros de comprimento a partir de um imóvel próximo e tentou chegar ao cofre. Eles foram descobertos antes de concluírem o roubo e foram presos. O imóvel foi alugado por um cidadão brasileiro. À época, as autoridades locais já haviam levantado a suspeita de participação do PCC.

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