Visita de vice de Merkel gera atrito com Israel

Encontro de Sigmar Gabriel com grupos de direitos humanos críticos às políticas israelenses para os territórios palestinos irrita governo Netanyahu, que ameaça cancelar reunião bilateral.A decisão do vice-chanceler e ministro do Exterior alemão, Sigmar Gabriel, de encontrar grupos de direitos humanos críticos ao governo israelense gerou atritos entre os dois países, com o premiê Benjamin Netanyahu ameaçando cancelar uma reunião bilateral programada para esta terça-feira (25/04). Autoridades israelenses ameaçaram cancelar o encontro desta terça-feira caso Gabriel prosseguissem com os encontros agendados com as organizações Breaking the Silence e B'Tselem. Breaking the Silence é uma ONG que publica depoimentos de veteranos da Força de Defesa de Israel para forçar israelenses a enfrentarem as realidades de suas políticas. A B'Tselem é uma ONG que documenta abusos de direitos humanos em territórios ocupados. O ministro alemão disse que seria "lamentável" se Netanyahu cancelasse a reunião em Jerusalém simplesmente devido ao seu encontro com grupos que criticam as ações de Israel na Cisjordânia. Gabriel descreveu sua visita às citadas organizações como "completamente normal". Em entrevista à emissora estatal alemã ZDF, Gabriel disse que ficou sabendo da ameaça do governo israelense por meio da imprensa local. "Praticamente não consigo imaginar que isso aconteceria, porque seria extraordinariamente lamentável", disse Gabriel, acrescentando que seria impensável cancelar uma reunião com Netanyahu na Alemanha se ele realizasse uma visita a críticos do governo alemão. "Você não pode obter uma imagem adequada e abrangente em qualquer país na Terra, se você só se encontra em escritórios do governo", disse Gabriel. O ministro alemão salientou, porém, que um suposto cancelamento da reunião com Netanyahu não seria uma "catástrofe" e não mudaria seu relacionamento com Israel. Ele chegou a Israel na segunda-feira para participar de memoriais do Holocausto. Uma fonte israelense disse à emissora local Channel 2 que "Israel estabelece uma política clara, apesar de seus estreitos laços com a Alemanha, com o objetivo de evitar a erosão causada por reuniões entre representantes europeus e tais organizações". Uma autoridade disse ao diário local Times of Israel que "esta mensagem foi transmitida claramente aos alemães". A vice-ministra do Exterior de Israel, Tzipi Hotovely, escreveu em sua conta no Twitter que apoia o ultimato dado a Gabriel, por ajudar a combater a difamação contra Israel. Além disso, o jornal Haaretz publicou que o embaixador belga em Israel foi convocado para prestar explicações há dois meses, após uma reunião entre o primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, e as duas organizações. No domingo, antes de viajar a Israel, Gabriel havia dito que os laços "inquebráveis" entre Alemanha e Israel formaram parte da identidade nacional alemã e os pilares de sua política externa, mas afirmou que continuaria a pressionar por uma solução de dois Estados. Relações fortes com Israel têm sido uma prioridade para a Alemanha desde a Segunda Guerra. Ultimamente, no entanto, estas relações ficaram tensas após a expansão dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos. Em março, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, cancelou uma cúpula com Netanyahu, que seria realizada em Jerusalém em maio. PV/ap/rtr

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