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1952: Tratado da Comunidade Europeia de Defesa

Ralf Geissler (gh)

27/05/2017 07h59

No dia 27 de maio de 1952, Bélgica, Alemanha Ocidental, França, Itália, Luxemburgo e Holanda assinaram um acordo de defesa.A Alemanha poderia voltar a ter um exército? Cinco anos após a Segunda Guerra Mundial, esta pergunta desencadeou uma enorme discussão. Muitas cidades alemãs ainda se encontravam em destroços. Enquanto isso, as forças de ocupação norte-americanas e inglesas pressionavam a República Federal da Alemanha a reorganizar o seu Exército.Com a eclosão da guerra da Coreia, as duas potências aliadas temiam que a União Soviética quisesse ampliar sua área de influência. A aliança europeia deveria impedir um ataque à Europa Ocidental. O então chanceler federal da Alemanha, Konrad Adenauer, era favorável ao rearmamento do país: "Os alemães precisam entender que é impossível esperar que os Estados Unidos, o Canadá e os países europeus ocidentais se sacrifiquem para implementar essa frente de defesa, sem que a Alemanha preste a sua contribuição", afirmou.Proposta do presidente francêsOs franceses, porém, mantinham-se cépticos em relação a uma aliança da Europa Ocidental com a participação de soldados alemães. Mesmo assim, foi o então presidente da França, René Pleven, quem apresentou o plano para uma Comunidade Europeia de Defesa (CED), no final de outubro de 1950. Segundo o historiador berlinense Michael Lemke, "a estratégia do presidente francês foi tomar a iniciativa para assumir o controle sobre algo que era inevitável".Pleven propôs a criação de um exército europeu ocidental com participação de Itália, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha Ocidental. Mas a sua proposta tinha uma mácula, reconhecida imediatamente por Adenauer: os alemães ocidentais não participariam em condições de igualdade dessa aliança e tanto o comando, quanto o contigente das suas tropas, seriam controlados pelos demais países.Adenauer queria tratamento igual para a AlemanhaApós longas negociações, Adenauer conseguiu um tratamento igualitário para os alemães. Aderindo ao acordo, a Alemanha Ocidental se tornaria soberana. Mas nem mesmo essa promessa impediu os comunistas, os sindicatos, os social-democratas e as Igrejas de protestarem contra o rearmamento alemão. Diz-se que, se tivessem sido realizadas eleições parlamentares em 1950 ou 1951, Adenauer teria sido derrotado, em decorrência de tal discussão.Seu principal oponente era o ex-ministro do Interior, Gustav Heinemann, que renunciara ao cargo em protesto contra os planos armamentistas de Adenauer. Os adversários do rearmamento baseavam-se na Constituição, que atribuía a defesa da Alemanha exclusivamente às forças de ocupação. Segundo Lemke, "muitos diziam que o ingresso na Comunidade de Defesa Europeia aprofundaria a divisão alemã e não aumentaria a simpatia dos russos pela reunificação e por eleições livres".Críticas da Alemanha OrientalAdenauer, no entanto, acreditava que somente uma aliança forte da Europa Ocidental forçaria a União Soviética a negociar. No dia 27 de maio de 1952, ele assinou o tratado da Comunidade Europeia de Defesa. O então presidente da Alemanha Oriental, Wilhelm Pieck, criticou a aliança: "Enquanto lutamos pela construção da paz em todo o país, uma clique criminosa no Ocidente da nossa pátria, a mando dos armamentistas norte-americanos, conduz o povo alemão à terceira guerra".Na mesma época, porém, a República Democrática Alemã também se rearmava secretamente. Os parlamentos europeus ocidentais – à exceção do francês – ratificaram o tratado. A 30 de agosto de 1954, a assembleia nacional francesa rejeitou definitivamente o acordo, o que representou o fracasso da CED. "O colapso do projeto enfraqueceu também a ideia da unificação europeia, já que a defesa comum deveria ser um elemento constitutivo da União Europeia", afirma Lemke.Apesar disso, a Alemanha reorganizou as suas forças armadas e, a 5 de maio de 1955, foi admitida na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O bloco comunista reagiu com a criação do Pacto de Varsóvia. Era o começo da Guerra Fria, que durou até a queda do Muro de Berlim, em 1989.