Encontro Trump-Putin centra atenções no início do G20

Alexandra von Nahmen

Antes de embarcar para Hamburgo, presidente americano buscou distanciar-se da Rússia, chamando-a de desestabilizadora do Ocidente. Mas não descarta-se que, da reunião, saiam concessões a Moscou.Nenhuma outra questão parece ocupar mais a política de Washington, na véspera da cúpula do G20, do que o primeiro encontro entre Donald Trump e presidente russo, Vadimir Putin. Quão bem preparado está o líder americano? Ele fará concessões aos russos? Mas inicialmente a crise da Coreia do Norte pode jogar sombra sobre o encontro das 20 principais economias mundiais. Após o primeiro teste de um míssil intercontinental por Pyongyang, a comunidade internacional se vê diante da difícil tarefa de frear o líder Kim Jong-un. "O presidente Trump espera dos demais participantes do G20 solidariedade e uma condenação decidida da mais recente ação agressão da Coreia do Norte", diz Nile Gardiner, da conservadora Heritage Foundation. Em sua opinião, Washington continuará pressionando Pequim, mais do que antes, para que coloque os norte-coreanos nos eixos. Também o Irã e a Síria ocupam o topo da agenda de Trump em Hamburgo. Em relação à Síria, a principal intenção do político americano é fortalecer a coalizão internacional no combate à milícia terrorista do "Estado Islâmico" (EI). Nos Estados Unidos, o público, e sobretudo as redes de TV antecipam há dias o primeiro encontro entre seu presidente e o chefe do Kremlin. Isso, talvez porque os americanos não esperam mais surpresas da cúpula do G20 em si. "Esses encontros são sempre chatos", comentou recentemente um apresentador da emissora conservadora Fox News. Apenas um exemplo: Trump está em atrito com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, devido à retirada do acordo do clima de Paris e da política econômica protecionista dos EUA. E iso não deve mudar. Ainda assim, a aparição de Trump em Hamburgo poderá ser bem-sucedida, acredita Thomas Wright, especialista em política externa e de segurança do think tank Brookings, em Washington – se ele escutar seus assessores moderados. E contanto que não tente utilizar o encontro como palco para sua política de "America first": a Casa Branca tenta minimizar a importância da conferência internacional, mas Trump quer provar algo grande, afirma Wright. Os russos já apresentaram suas reivindicações de antemão: eles pressionam, entre outros pontos, para que sejam suspensas as sanções impostas pelo ex-presidente americano Barack Obama. Trump teria encarregado seus assessores de preparar uma lista de potenciais concessões. Nile Gardiner vê no encontro como uma grande chance para Trump demonstrar verdadeira capacidade de liderança – se quiser. "Ele precisa transmitir uma mensagem de força e determinação e deixar claro a Putin que a Rússia deve cessar a ocupação da Crimeia e retirar todas as suas tropas da Ucrânia." Caso contrário, todas as sanções permanecem em vigor. Nesta quinta-feira, em visita a Varsóvia antes de embarcar para a Alemanha, Trump acusou Moscou de atuar como agente "desestabilizador", principalmente no âmbito da crise ucraniana. E, ainda que não tenha confirmado interferência de Moscou a seu favor no pleito americano, admitiu a possibilidade de que isso possa ter acontecido. Mas não há como prever se os dois chefes de Estados chegarão a abordar a provável interferência russa nas últimas eleições presidenciais americanas – que é o tema mais premente nos EUA. Segundo Herbert Raymond McMaster, assessor de segurança nacional de Trump, isso "não consta da pauta fixa do encontro". "Muitos na Casa Branca estão prendendo a respiração", comenta Thomas Wright. "Simplesmente não sabemos que vai acontecer."

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