Violência marca votação na Venezuela

Ao menos oito pessoas morreram em confrontos durante protestos contra Assembleia Nacional Constituinte. Oposição comemora grande abstenção eleitoral. Governo, porém, fala em participação recorde.Milhares de venezuelanos foram às urnas neste domingo (30/07) para eleger os representantes da Assembleia Nacional Constituinte. A votação, criticada pela comunidade internacional e denunciada pela oposição como o último passo do governo Nicolás Maduro para consumar uma ditadura, foi marcada pela violência. Ao menos oito pessoas morreram durante os protestos contra o processo que ocorreram em várias cidades do país. Os números sobre o comparecimento eleitoral são contraditórios. De um lado, a oposição comemorou a "grande abstenção" como sinal da recusa da Constituinte pelo povo. Segundo a coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD), apenas 12% dos 19,8 eleitores teriam ido às urnas. Por outro lado, antes do fechamento das urnas, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirmou que mais de 8,5 milhões de pessoas já haviam participado da votação. Ainda não foram divulgados dados oficiais, mas o governo anunciou recorde. "A respeito da participação, [ela foi] recorde", afirmou o vice-presidente do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, que qualificou a eleição de "vitória exemplar" para o seu projeto político. A eleição começou em clima de tensão. Apesar da proibição de manifestações, a oposição realizou diversos protestos pelo país e promoveu barricadas em ruas e rodovias. Nas tentativas de dispersão dos bloqueios, forças de segurança entraram em confronto com manifestantes. De acordo com a ONG Foro Penal Venezuelano, 64 pessoas foram detidas nos atos. As confusões deixaram ainda mortos e feridos em ambos os lados. Segundo o Ministério Público da Venezuela, oito pessoas morreram: três no estado de Táchira, outras três em Mérida, uma em Lara e outra em Sucre. Duas das vítimas seriam menores de idade e foram atingidas por disparos. Os casos estão sendo investigados pelas autoridades. A MUD contesta, porém, os números e afirma que 14 pessoas morreram durante a jornada de protestos. Entre as vítimas dos embates, há também governistas. Em Caracas, sete policiais ficaram feridos devido à explosão de duas motos da corporação. A sede do departamento de trânsito da polícia no leste da cidade também foi incendiada. Críticas internacionais A votação foi amplamente criticada por Estados Unidos, União Europeia e países da América Latina que defendem a suspensão da Constituinte e uma negociação política para solucionar a crise. Assim como a Colômbia e o Panamá, o Peru, a Argentina, o México, a Espanha e os Estados Unidos afirmaram neste domingo que não reconhecerão o resultado da votação. Em mensagem publicada em sua conta no Twitter, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse que a Assembleia Constituinte é um passo para a ditadura. "Não aceitaremos um governo ilegítimo", escreveu a diplomata americana. O Brasil lamentou a decisão de Maduro de promover a votação. Em nota, o Itamaraty afirmou estar preocupado com a escalada de violência no país. "Diante da gravidade do momento histórico por que passa a Venezuela, o Brasil insta as autoridades venezuelanas a suspenderem a instalação da assembleia constituinte e a abrirem um canal efetivo de entendimento e diálogo com a sociedade venezuelana." A votação elegeu os 545 membros que integrarão a assembleia para reescrever a Constituição, de modo a dar ainda mais poderes a Maduro. A oposição venezuelana boicotou o processo. Na prática, a Constituinte anula o Parlamento de maioria opositora, eleito há dois anos e que até aqui era o único elemento de contrapeso no jogo político na Venezuela. "Um processo eleitoral que busca a adoção de uma nova Constituição e cuja retirada foi solicitada por milhões de venezuelanos, partidos de oposição, não pode ser levado adiante com restrições à liberdade de expressão e ao direito de reunião pacífica que impeçam, de forma arbitrária, a ampla difusão de todas as opiniões políticas", aponta a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em profunda recessão e meio à grave escassez de produtos básicos, a Venezuela está há quatro meses em ebulição, com protestos quase diários contra Maduro. Mais de 110 pessoas morreram em confrontos com forças de segurança. CN/afp/efe/lusa/rtr

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