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Despejo de refugiados termina em confronto em Roma

Angelo Carconi/ANSA via AP
Imagem: Angelo Carconi/ANSA via AP

24/08/2017 17h48

Migrantes atiram pedras e garrafas, e policiais avançam com canhões de água durante operação para expulsar cerca de cem pessoas que ocupavam praça na capital italiana. Dois são detidos, e há pelo menos 13 feridos

Forças de segurança italianas entraram em confronto com refugiados em Roma nesta quinta-feira (24), durante uma operação policial para retirar os migrantes que ocupavam uma pequena praça na capital italiana. Duas pessoas foram detidas, e ao menos 13 ficaram feridas.

Cerca de cem requerentes de refúgio, em sua maioria africanos da Etiópia e Eritreia, estavam na Piazza Indipendenza, a um quarteirão da principal estação ferroviária de Roma.

Eles ocupavam o local desde sábado passado (19/08), quando a polícia italiana realizou uma operação para expulsar os cerca de 800 migrantes que ocupavam um prédio vizinho – muitos deles estavam lá desde 2013. Em uma das janelas, um cartaz ainda dizia: "Não somos terroristas".

Nesta quinta-feira, quando a polícia avançpu para despejar os ocupantes que migraram para a praça, muitos reagiram jogando pedras, garrafas e latas de gás contra os policiais, que teriam respondido com canhões de água na tentativa de controlar a situação.

Segundo agências de notícias, testemunhas disseram ter visto migrantes apanhando e sendo puxados pelo cabelo por membros das forças de segurança, que usavam traje antimotim, escudos e cassetetes.

Ao fim dos confrontos, a pequena Piazza Indipendenza estava repleta de latas de lixo reviradas, colchões e cadeiras de plástico quebradas, segundo relataram agências de notícias.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) afirmou no Twitter que havia famílias entre os ocupantes da praça, observando que muitas crianças presenciaram os confrontos. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), a maioria dos feridos eram mulheres.

O grupo ainda relatou que não havia ambulância nas proximidades para socorrer os feridos, deixando a tarefa para os voluntários da MSF. Eles disseram ter tratado as 13 pessoas feridas, principalmente por cortes e fraturas. Uma mulher idosa desmaiou após ser atingida por um canhão de água.

A polícia italiana divulgou um comunicado afirmando que a operação de despejo foi necessária porque os refugiados que ocupavam a praça recusaram o abrigo oferecido pela prefeitura, e também por conta do risco apresentado pelas latas de gás que os ocupantes usam para cozinhar.

O Acnur e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), bem como várias organizações de direitos humanos, questionaram as táticas da polícia italiana, afirmando que as operações foram realizadas sem aviso prévio.

Ativistas também criticaram a escassez de abrigos adequados para migrantes em Roma e afirmaram que muitas famílias têm sido separadas pelos novos planos habitacionais.

Em comunicado, a MSF expressou tristeza pelo fato de a situação não ter sido resolvida de forma pacífica. "É uma pena que a ausência de soluções alternativas de habitação tenha causado um incidente violento."

A organização, que pediu uma "solução digna" para aqueles que foram removidos, ainda publicou fotos dos confrontos no Twitter, rechaçando o "uso indiscriminado da violência".

A Itália, por conta de sua localização, vem tendo que lidar com um intenso fluxo de refugiados. Nos últimos quatro anos, o total de migrantes que chegaram ao país foi de cerca de 600 mil, sobrecarregando a capacidade dos centros de acolhimento e aumentando as tensões políticas no país.

Espera-se que nas eleições nacionais, marcadas para maio de 2018, a imigração seja um tema central no debate político. Os partidos populistas de direita acusam o governo centrista de nada fazer para barrar o fluxo migratório.