Ex-médico de ginastas dos EUA é condenado a até 175 anos de prisão

Acusado de abuso sexual por mais de 150 mulheres - entre elas as medalhistas olímpicas Simone Biles e Aly Raisman - Larry Nassar diz lamentar seus crimes. Juíza afirma que ele agiu de maneira "calculada e desprezível$escape.getQuote().O ex-médico da equipe de ginástica dos EUA Larry Nassar foi condenado nesta quarta-feira (24/01) a uma pena de 40 a 175 anos de prisão por abusar sexualmente de dezenas de atletas.

"Estou lhe dando 175 anos, o que são 2.100 meses. Eu acabo de assinar sua sentença de morte", disse a juíza Rosemarie Aquilina ao réu ao anunciar seu veredicto.

Mais de 150 mulheres e meninas acusaram Nassar de abuso sexual, entra elas as medalhistas olímpicas Simone Biles, Aly Raisman, Gabby Douglas e McKayla Maroney.

"É minha honra e privilégio lhe sentenciar. Você não merece caminhar fora de uma prisão nunca mais", disse a juíza, insistindo que o médico continua representando um perigo. "Você não fez nada para controlar esses impulsos, e em qualquer lugar por onde você ande, haverá destruição."

A sentença foi anunciada após sete dias de julgamento, em que uma série de vítimas de Nassar o confrontaram no tribunal. Segundo Aquilina, a decisão de cometer os abusos foi "precisa, calculada, manipulativa, desonesta, desprezível".

Nassar encontrou na ginástica competitiva o "lugar perfeito" para seus crimes, porque as vítimas o viam como "bom" no esporte, disse a procuradora Angela Povilaitis nesta quarta-feira.

"É preciso algum tipo de perversão doentia para não apenas agredir uma criança, mas para fazê-lo com o pai ou a mãe presentes. Para fazê-lo enquanto uma fila de jovens ginastas esperava", disse Povilaitis.

Ela descreveu a dimensão dos abusos sexuais cometidos por Nassar como "quase infinita". "O que isso diz sobre a nossa sociedade, quando vítimas de abuso sexual têm que esconder sua dor por anos sendo que não fizeram nada de errado?", questionou a procuradora.

Medo de denunciar

Uma das últimas a depor foi Rachael Denhollander, que relatou que Nassar a apalpou, acariciou e a penetrou com as mãos quando ela tinha 15 anos de idade e era ginasta no Michigan.

Outras vítimas acusaram o médico de usar as mãos, sem luvas, para penetrá-las, frequentemente sem explicação, quando elas estavam sobre a maca buscando tratamento para lesões.

As denunciantes, muitas das quais eram crianças quando foram abusadas, disseram que confiavam nos cuidados médicos de Nassar, não compreendiam o que acontecia ou tinham medo de falar sobre o ocorrido. Ele muitas vezes usava um lençol ou o próprio corpo para bloquear a visão de algum pai ou mãe das atletas que estivesse presente no consultório.

"Fui instruída durante toda a minha carreira de ginasta a não questionar autoridades", revelou a ex-ginasta Isabell Hutchins.

No tribunal, Nassar, de 54 anos, se pronunciou brevemente nesta quarta-feira, afirmando que os relatos das dezenas de vítimas o abalaram profundamente e que não há palavras para descrever o quanto ele lamenta seus crimes. "Vou levar suas palavras comigo pelo resto dos meus dias."

Em novembro passado, o médico confessou alguns dos abusos que cometeu. Ele já está cumprindo uma pena de 60 anos de prisão numa penitenciária federal por pornografia infantil.

LPF/ap/rtr/afp

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