Por que a Alemanha não tem cães de rua?

Karina Gomes

  • lukas Schulze/AFP

    Na Alemanha, cidades cobram imposto para quem quiser ser dono de um cachorro

    Na Alemanha, cidades cobram imposto para quem quiser ser dono de um cachorro

Passaporte, microchip de identificação e imposto anual são apenas alguns dos requisitos para ter um cachorro em casa na Alemanha. Série de regras impede a existência de cães de rua. Uma educação impecável, obediência ao usar o transporte público e nenhum latido de reclamação. Na Alemanha, os cachorros têm um comportamento exemplar. Se encontrá-los na rua, nunca estarão sem seus donos. Eles são bem-vindos em bares, restaurantes, trens e ônibus.

Cães de rua simplesmente não existem, devido a uma série de regras rígidas para controlar o número de animais de estimação no país. Uma lista do que é preciso saber antes de trazer para casa o seu melhor amigo-cão:

Imposto do cão

Além de ter gastos com veterinário e ração, os donos devem pagar o imposto do cão (Hundesteuer), cobrado por mais de 10 mil municípios alemães. É uma estratégia adotada como forma de controlar o número de cães no país.

Todo cachorro na Alemanha possui um registro na prefeitura da cidade onde os donos moram. Os preços variam de acordo com a cidade e, em alguns casos, a raça do cão.

Eventualmente, é necessário contratar um seguro para cobrir danos que possam ser causados pelo cão. Pessoas com deficiências físicas que precisam de cães-guia são isentas da cobrança.

Em Mainz, ter um cão custa pouco mais do que 185 euros ao ano. Já em Windorf, na Baviera, o imposto não é cobrado. O imposto arrecadado é usado para serviços gerais da prefeitura, como construção de creches e renovação de prédios municipais.

Em 2014, os municípios alemães arrecadaram 309 milhões de euros com o Hundesteuer.

Adestramento

Dependendo da raça, alguns cães precisam passar por aulas de etiqueta. Escolas de cães (Hundeschule) oferecem todo o treinamento necessário. O principal comando é o "sentar-se". Quando entram no transporte público, os cães se acomodam ao lado do dono e permanecem quietinhos até chegar ao destino.

Desde 2004, é obrigatório que os cães tenham um passaporte para viagens dentro e fora da União Europeia (UE). O documento emitido pela UE traz informações sobre todas as vacinas tomadas pelo cão, o país de origem e o número de identificação do microchip implantado. A emissão do passaporte (EU-Reisepass für Heimtiere) custa cerca de 20 euros e também vale para gatos e o furão doméstico.

Chip implantado

Todos os cães possuem um chip implantando no corpo com um número de identificação. Pode ser nos ombros ou nas costas. O número também é registrado na coleira, que traz o símbolo da prefeitura.

Caso o cão venha de outro país é preciso passar por todos os exames para garantir que o cão tem boa saúde e adquirir todos os documentos necessários. Os cachorros podem ser comprados de criadores de animais ou por anúncios na internet.

Outra opção é adotar. Os abrigos (Tierheime) oferecem todo o cuidado a cães abandonados que vêm, principalmente, do leste europeu. Voluntários se oferecem para fazer passeios regulares com os cães para que eles não fiquem sempre trancados no abrigo.

Para a adoção, o futuro dono precisa provar que tem boas condições para oferecer ao cão, como uma boa moradia.

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