Fora o cigarro, a vez é do cachimbo d'água

Stephanie Höppner. (av)

Em 31 de maio a OMS propõe o Dia Mundial Sem Tabaco. Na Alemanha a tendência entre os jovens é fumar cada vez menos, em parte graças à vida nas redes sociais. Mas uma variante oriental do tabagismo vai ganhando terreno.Primeiro a boa notícia neste Dia Mundial Sem Tabaco (31/05), da Organização Mundial da Saúde: fumar está "out" entre os jovens alemães. "Há vontade de preservar a própria saúde física e psíquica pelo maior tempo possível, de estar presente", analisa Klaus Hurrelmann, pesquisador de estudos da juventude na Hertie School of Governance.

Quem está presente nas redes sociais como Instagram e Facebook, e quer se apresentar de forma ativa, possivelmente recorrerá menos ao cigarro, acredita ele. "As pessoas sabem que têm que estar sempre 'prontas para entrar no ar', que as mídias digitais exigem atenção. E para a grande maioria, fumar simplesmente não combina mais com isso."

Segundo a central federal alemã de esclarecimento sobre saúde BZgA, o decréscimo do número de jovens fumantes se faz notar desde o começo dos anos 2000. A quota de fumantes entre os adolescentes de 12 aos 17 anos de idade, que era de 28% em 2001, caiu para 7,4% em 2016.

Trata-se de um recorde negativo histórico, a parcela dos jovens nessa faixa etária que nunca fumou é a mais baixa já registrada. Também dos 18 aos 25 anos a percentagem caiu significativamente nesses 15 anos, de 45% para 26%.

Entre os adultos, por outro lado, a proporção permanece em de cerca de um terço. "Nota-se como há simplesmente um fator de dependência", observa a bióloga Katrin Schaller, do Centro de Pesquisa do Câncer, em Heidelberg. Responsáveis por um recuo em todas as faixas etárias são sobretudo a alta dos preços, a prova de idade compulsória nas máquinas de venda e a proibição da publicidade e do fumo em restaurantes, escritórios e outros espaços públicos.

Em contrapartida, as imagens chocantes nas embalagens de cigarros têm um efeito ambivalente, como mostraram estudos promovidos pelo Instituto do Câncer dos Estados Unidos. Enquanto em especial os não fumantes têm repugnância diante da foto de um pulmão enegrecido por alcatrão, certos fumantes se sentem, antes, estimulados, num espírito de "agora é que eu vou mesmo".



Sai o cigarro, entra o narguilé

Contudo esses números positivos enganam. Pois, embora o cigarro tenha perdido consideravelmente a atratividade, aumentou entre os jovens o consumo do narguilé ou shisha, o cachimbo d'água oriental.

"Ele tem um toque exótico, é novo, e por isso houve uma verdadeira onda desse modismo", explica Hurrelmann. "Os jovens ainda têm a impressão que o narguilé não é tão prejudicial para a saúde deles quanto fumar tabaco." O comportamento é considerado interessante, chique, socialmente chamativo.

No entanto as shishas em que se fuma tabaco são mais ou menos tão nocivas quanto um cigarro, explica o instituto alemão de avaliação de risco BfR, podendo comprometer as funções pulmonares e elevar consideravelmente o risco de câncer. Pois cada uma delas contém mais ou menos de dez a 20 vezes tanta nicotina quanto um cigarro, o que é muito, mesmo se compartilhado por diversos jovens.



Nunca cairá em desuso

Também a bióloga Schaller encara com sentimentos mistos as tendências tabagistas da juventude alemã. "Os narguilés se tornaram mais interessantes para os adolescentes e jovens adultos, nos últimos anos." No entanto a comparação com o cigarro não é linear, pois os cachimbos d'água "costumam ser consumidos em sociedade, e antes ocasionalmente, enquanto cigarros em geral são consumidos várias vezes ao dia":

De acordo com um estudo da caixa de saúde DAK envolvendo cerca de 7 mil escolares da Alemanha, cerca de um quinto dos colegiais entre 11 e 16 anos já tragou um narguilé, 6% até fuma regularmente; dos 17 aos 19 anos, a metade já teve essa experiência, enquanto 15% a repete com regularidade. O uso de cigarros eletrônicos, proibido para menores, é bastante reduzido, ficando em apenas 3,6%.

Apesar de todas as advertências sanitárias e de uma clara tendência decrescente pelo menos em relação aos cigarros, Hurrelmann descarta que algum dia os jovens vão deixar inteiramente de provar um cigarro ou narguilé. "Faz parte da juventude experimentar uma vez e fazer algo emocionante – e que talvez também vá provocar um pouco os mais velhos."

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