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Migrantes acusam polícia de racismo em cidade alemã

06/07/2018 13h20

Em Cottbus, migrantes chechenos dizem que forças de segurança os obrigaram a tirar as calças durante detenção. Prefeitura local rejeita acusações, mas diz que está aberta ao diálogo.A cidade de Cottbus, no leste da Alemanha, se encontra novamente no centro de uma polêmica, depois que um grupo de solicitantes de refúgio da Chechênia enviou uma carta aberta acusando a polícia e a administração locais de racismo.

A carta aberta de 25 famílias chechenas, reproduzida na segunda-feira (02/07) pela emissora pública local RBB, detalha as reclamações dos migrantes. Entre outras questões envolvendo integração, os chechenos fazem um apelo por novas moradias, a fim de reduzir os confrontos entre grupos de requerentes de refúgio no abrigo onde estão hospedados.

Muitas das reclamações envolvem a polícia de Cottbus, que supostamente maltratou mais de 20 homens chechenos detidos após uma briga com um grupo de solicitantes de refúgio do Afeganistão na madrugada entre 12 e 13 de junho.

A polícia supostamente se recusou a dar água aos que precisavam tomar medicação e também teria punido aqueles que fizeram o pedido.

"Depois de pedir água, um homem teve que tirar a calça e passar o resto do tempo na cela usando apenas cueca", diz a carta, segundo a RBB.

Outros homens também foram obrigados a passar o tempo na detenção apenas com a roupa de baixo. Os detidos não tiveram permissão de usar sapatos enquanto usavam o banheiro, que era descrito como "intoleravelmente" anti-higiênico.

Em batidas no abrigo de requerentes de refúgio no dia seguinte, a polícia supostamente ameaçou uma mulher com uma arma na frente de seus filhos, fazendo com que uma de suas filhas entre agora em pânico quando vê policiais.

A prefeitura de Cottbus se disse aberta a discutir as questões, mas nem todos os envolvidos nos confrontos aceitaram a oferta. O porta-voz da administração de Cottbus, Jan Glossmann, rejeitou as acusações da carta de que a situação do abrigo dos requerentes de refúgio seria "insustentável”.

"As pessoas certamente não estão limitadas morando lá. São apartamentos completamente normais, onde locatários alemães também estão vivendo. Mas, para alguns, isso aparentemente não é suficiente", disse, em entrevista à DW.

A cidade também negou o pedido dos migrantes para transferência para outro alojamento. Glossmann observa que os pedidos de refúgio podem não ser bem-sucedidos. "Tem que ser dito: as perspectivas de permanecer [na Alemanha] para várias famílias chechenas não são as melhores. Portanto, não é necessário distribuí-las na cidade agora", acrescenta.

A polícia em Brandemburgo, o estado onde Cottbus está localizada, disse que apoia as ações de seus colegas na madrugada em questão. O chefe da polícia de Brandemburgo, Hans-Jürgen Mörke, disse à RBB que as acusações mais severas de maus-tratos estavam sendo investigadas, mas que a resposta das autoridades locais aos tumultos de junho foi apropriada. "Se determinarmos que essas acusações são verdadeiras, então responderemos de acordo", ressaltou Mörke.

Na madrugada de 12 a 13 de junho, a polícia registrou vários confrontos entre os requerentes de refúgio, particularmente entre chechenos e afegãos.

Um homem checheno sofreu ferimentos de faca durante uma briga que eclodiu em uma quadra de futebol, e vários outros sofreram ferimentos na cabeça. Mais tarde, no hospital, as brigas entre os grupos continuaram, quando um checheno golpeou a cabeça de um homem afegão com um extintor de incêndio.

Em uma série de declarações, a polícia reconheceu que havia detido 26 homens da Chechênia naquela madrugada e que havia realizado batidas no abrigo dos requerentes de refúgio. Durante a batida, a polícia apreendeu tacos de golfe, pranchas de madeira e correntes de bicicleta que supostamente foram usadas na madrugada anterior como armas. "Com essas medidas, a polícia mostra, com clareza e determinação, que esses incidentes não serão tolerados", disse a polícia, em comunicado.



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