Governo alemão quer acelerar expulsão de imigrantes norte-africanos

Berlim, 17 jan (EFE).- A União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler alemã, Angela Merkel, e a União Social-Cristã (CSU), sua versão regional na Bavária, concordaram em aplicar aos imigrantes norte-africanos o mesmo tratamento que recebem os solicitantes de asilo de países de origem segura e acelerar assim sua expulsão.

Segundo o jornal dominical "Welt am Sonntag", o plano é que os solicitantes de asilo procedentes de Argélia e Marrocos já não sejam distribuídos por todo o país, mas enviados diretamente a centros de internamento especiais para decidir em um procedimento rápido sobre seu direito ou não de permanecer no país.

O periódico assinalou que tanto a chanceler como o chefe do governo da Baviera, e líder da CSU, Horst Seehofer, querem que esta medida seja aplicada inclusive antes de estes dois Estados norte-africanos serem declarados por lei países de origem segura, para o que necessitam o apoio dos social-democratas, parceiros da coalizão nacional.

"Tudo indica que os imigrantes da região norte-africana com poucas probabilidades de obter uma permissão (na Alemanha) poderiam ser levados aos centros de internamento de estrangeiros em (as localidades) de Bamberg e Manching", assinalou o presidente do grupo parlamentar da CSU na câmara bávara, Thomas Kreuzer.

No entanto, Kreuzer não fala de cidadãos marroquinos e argelinos, mas que "marroquinos e tunisianos poderiam passar um procedimento rápido".

O vice-chanceler e ministro da Economia, o social-democrata Sigmar Gabriel, acusou hoje os dois partidos conservadores de confundir a população com constantes manobras de distração em matéria de refugiados.

A proposta de enviar solicitantes de asilo marroquinos e argelinos a centros de internamento especiais "não é nada novo" e está estipulada faz tempo, disse Gabriel.

"Simplesmente temos que cumprir de uma vez o que prometemos em vez de propagar a cada dia novas ideias pelo país", disse o vice-chanceler ao início de um convenção de dois dias dos social-democratas na cidade de Nauen, próxima a Berlim.

O que é mais importante é deixar claro aos governos norte-africanos que devem receber de volta os solicitantes que tiveram asilo negado na Alemanha, ressaltou.

Gabriel deixou entrever de forma indireta que caso contrário, países como Argélia e Marrocos poderiam ver reduzida a assistência que recebem da Alemanha, ao afirmar que "não se pode querer apoio econômico alemão e ao mesmo tempo não cooperar nesta questão".

A revista "Der Spiegel" publicou ontem que os ministros do Interior dos estados federados alemães acusam os países norte-africanos de bloquear, com sua "atitude pouco cooperativa" a expulsão da Alemanha de seus cidadãos.

Segundo um documento interno das autoridades do Interior, cerca de 5.500 argelinos, marroquinos e tunisianos estavam pendentes de expulsão em julho do ano passado, e só 53 puderam ser efetivamente devolvidos a seus países de origem no primeiro semestre de 2015.

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