Advogado de filhas de Nisman celebra mudanças feitas por Macri nas investigações

Mar Marín

Em Buenos Aires

  • Xinhua/Presidencia de Argentina/TELAM

    Presidente da Argentina, Mauricio Macri, acompanhado de sua mulher, Juliana, e de sua filha Antonia posa com as filhas do promotor morto Alberto Nisman, Iara (esq.) e Kala (centro)

    Presidente da Argentina, Mauricio Macri, acompanhado de sua mulher, Juliana, e de sua filha Antonia posa com as filhas do promotor morto Alberto Nisman, Iara (esq.) e Kala (centro)

"Não temos nenhuma dúvida de que Alberto Nisman foi assassinado", dessa forma contundente se expressou Federico Casal, advogado das filhas do promotor, em entrevista à Agência Efe, na qual atribui dita morte a uma "manobra planejada" com a participação de serviços de inteligência argentinos e estrangeiros.

Após um ano sem avanços na investigação pela morte de Alberto Nisman, Casal comemora o giro radical representado pela decisão do presidente da Argentina, Mauricio Macri, de desclassificar os arquivos referentes ao caso e autorizar os agentes de inteligência a prestar depoimento, além do afastamento da promotora que conduzia o processo, Viviana Fein.

Nisman, promotor especial que investigava o atentado contra a associação mutual judaica Amia - o maior já realizado na Argentina -, foi achado com um tiro na cabeça no banheiro de sua casa, no bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires, às vésperas de comparecer ao Congresso para detalhar uma denúncia contra a então presidente, Cristina Kirchner.

Na denúncia, Nisman acusava Cristina pelo suposto acobertamento dos autores iranianos do ataque em virtude de um memorando de entendimento assinado com o Irã.

A investigação, errática e em alguns momentos rocambolesca, se inclinou pela hipótese do suicídio, mas Casal assegura que a denúncia tem provas de que Nisman foi rendido e assassinado em uma operação na qual participaram uma ou duas pessoas.

"Foi uma manobra planejada e executada com a eficácia e a complexidade própria de profissionais na matéria", continuou Casal, "o que nos leva diretamente a suspeitar de agentes de inteligência, tanto nacionais como internacionais".

"São os únicos com capacidade para fazer as coisas como ocorreram", insistiu o advogado, destacando que havia muitos "interesses" para que Nisman não prosseguisse com a investigação da pista iraniana no massacre da Amia.

Por trás da morte do promotor, segundo Casal, está o memorando assinado por Cristina com o Irã, não por seu conteúdo, mas "pelo que havia por trás", que, ressaltou o advogado, poderia tratar-se de negociações relacionadas com petróleo, temas de política internacional ou inclusive "impunidade econômica em relação a fundos que se suspeita que a família Kirchner teve depositados em Teerã".

Além disso, salientou o advogado na entrevista à Efe, "por trás do memorando há um mecanismo para liberar de responsabilidade os membros do governo iraniano que a investigação de Nisman apontava como responsáveis pelo atentado contra a Amia".

"Nenhum outro tema preocupou tanto a ex-presidente como todas as questões relacionadas com a validade deste acordo", ressaltou Casal, que denuncia uma tentativa de obstrução permanente da investigação por parte do Executivo de Cristina.

A atitude do governo kirchnerista e a incapacidade da promotora Fein em avançar na investigação mantiveram o caso praticamente bloqueado durante um ano, mas Casal se mostra otimista.

O compromisso expressado por Macri e o afastamento de Fein são, em sua opinião, decisivos para chegar à verdade.

Segundo Casal, Fein tratou a morte de Nisman como se aborda um roubo na rua e em um ano avançou menos do que conseguiu em apenas um dia a juíza que tomou as rédeas da investigação, Fabiana Palmaghini.

A juíza convocou para depoimento dois agentes de inteligência cujos testemunhos podem ser decisivos: Jaime Stiuoso, requerido pelo governo de Cristina e presumivelmente foragido nos EUA, e "Moro Rodríguez", que se encontra agora na Espanha e que foi quem apresentou Nisman a Diego Lagomarsino, o técnico em informática que, supostamente, lhe emprestou a pistola que acabou com sua vida.

Lagomarsino tem novos motivos para preocupar-se. Seu testemunho, baseado em que emprestou a arma ao promotor para a proteção de suas filhas, é "pueril e inverossímil", declarou Casal, especialmente considerando que as filhas de Nisman não se encontravam no país.

Casal não descarta, que da mesma forma que ocorreu com o caso Amia - com uma causa paralela aberta pelo acobertamento na investigação -, o caso Nisman termine com outro julgamento sobre os despropósitos do processo.

Um processo que começou com a polícia contaminando a cena do crime e que deixou passar uma prova-chave: nas mãos do promotor não havia sinais de pólvora.

"Está comprovado. Nisman não disparou a arma. Outra pessoa fez isso", concluiu Casal.

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