Governo e Farc superam crise e pretendem acelerar diálogo de paz

Havana, 24 fev (EFE).- O governo da Colômbia e as Farc chegaram a um acordo e superaram a crise provocada pelas imagens de negociadores da insurgência em um ato público em uma aldeia colombiana escoltados por guerrilheiros armados, e buscarão acelerar os diálogos para assinar a paz "o mais rápido possível".

Em comunicado lido nesta quarta-feira na capital cubana, representantes dos países fiadores do processo de paz, Cuba e Noruega, anunciaram que as partes chegaram a um acordo para "superar as diferenças recentes e normalizar as conversas", mas não informaram a data deste retorno.

Também não detalharam nem quando nem como voltarão à Cuba o chefe negociador das Farc, "Ivan Márquez" e o guerrilheiro "Joaquín Gómez", que foram acusados de violar as regras estipuladas com o governo em torno de suas viagens à Colômbia para fazer "pedagogia de paz" entre suas fileiras.

Segundo o governo, os negociadores da insurgência romperam o acordo de não entrar em centros urbanos, estabelecer contatos com a população civil e fazer manifestações políticas.

Mas, indicou o texto divulgado hoje, as Farc "continuarão cumprindo todos os compromissos adquiridos pelas partes sobre as medidas de desescalamento e fomento da confiança".

Poucos minutos depois do anúncio, o chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, afirmou em outro comunicado que sua equipe voltará a Havana no dia seguinte ao retorno de Márquez e Gómez, negociadores e destacados membros do Secretariado Central das Farc.

Na primeira reunião após o impasse vivido na última semana, as duas delegações buscarão acelerar os diálogos de paz "com o compromisso de continuar esgotando ao máximo e com a maior eficiência os acordos e as conversas com a vontade de conseguir o acordo final tão breve quanto possível", disse de la Calle desde Bogotá.

O chefe negociador acrescentou que essa conversa "será sobre a forma de continuar impulsionando ao máximo a busca de um acordo, tomara que em 23 de março", data estipulada pelas partes para concluir as negociações de paz.

Nesse encontro, também trabalharão "para ajustar os protocolos" que regem as visitas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ao país para explicar os pré-acordos alcançados em Havana, motivo da polêmica viagem realizada semana passada por vários delegados guerrilheiros.

Sobre estas visitas, de la Calle afirmou que, para o governo tem "enorme lógica" os chefes da guerrilha falarem sobre estes temas com suas bases, já que é "importante e conveniente para o futuro do próprio acordo", apesar de insistir que isso não pode ocorrer em circunstâncias como as da semana passada.

Embora o processo de paz da Colômbia esteja na fase final, na semana passada explodiu uma nova polêmica quando o presidente Juan Manuel Santos suspendeu as visitas dos negociadores da guerrilha a seus acampamentos para fazerem a "pedagogia da paz" em suas fileiras.

O anúncio de Santos aconteceu depois da divulgação de imagens que mostram "Ivan Márquez" e "Joaquín Gómez" em um ato público com civis na aldeia de Conejo, no departamento de La Guajira, escoltados por guerrilheiros armados, no que seria uma violação das regras estipuladas de não ter contato com a população civil e de não fazer manifestações políticas.

Para desbloquear a situação, nos últimos dias houve intensos contatos envolvendo as duas partes, com a mediação dos países fiadores, incluindo uma reunião na segunda-feira em Havana entre os chanceleres de Cuba e da Noruega, Bruno Rodríguez e Børge Brende.

"Cuba e Noruega agradecem ao governo da Colômbia e às Farc pela confiança depositada nos fiadores e pelo espírito construtivo com o qual contribuíram para a conquista dos positivos resultados que hoje estamos anunciando", ressaltou o comunicado.

Os representantes dos países fiadores reafirmaram também seu compromisso de "contribuir ao avanço das conversas e à conquista, no menor tempo possível, de um acordo final para o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura na Colômbia".

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