Kerry diz que não há plano de devolver Guantánamo a Cuba após fechamento

Em Washington

  • Shane T. McCoy/U.S. Navy/AP

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, reiterou nesta quinta-feira (25) que não está ciente de "nenhum plano" de devolver a Cuba o território ocupado pela base naval de Guantánamo se o governo americano conseguir fechar a prisão, e assegurou que ele se oporia pessoalmente a qualquer proposta nesse sentido.

"Não há nenhum plano, nenhuma conversa da qual eu esteja consciente" no governo americano para esse fim, garantiu Kerry durante uma audiência perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.

"Eu me oporia pessoalmente a isso" se fosse proposto dentro da equipe de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acrescentou o titular das Relações Exteriores.

O governo cubano insistiu ao longo do último ano que o processo de normalização das relações diplomáticas não poderá ser completado até que os Estados Unidos suspendam o embargo a Cuba e devolvam o território ocupado pela base naval americana em Guantánamo.

No entanto, os EUA evitaram incluir o tema de Guantánamo nas negociações para restabelecer as relações e não deram, até agora, nenhuma indicação de estarem abertos a devolver o território alugado na ilha.

Proposta

Nesta terça-feira (23), Obama apresentou um novo plano para tentar fechar a prisão de Guantánamo por meio da transferência de entre 30 a 60 presos a território nacional, um projeto recebido com rejeição entre a oposição republicana.

Nesse mesmo dia, o senador e pré-candidato presidencial republicano Marco Rubio impulsionou uma proposta de lei pela qual Obama não pode transferir o território da base naval de Guantánamo a Cuba nem fazer modificação alguma sem autorização do Congresso.

"O regime dos Castro já está roubando o povo americano e agora pede a devolução da base, que foi vital para as operações da marinha e da guarda costeira no Caribe durante mais de um século", afirmou então Rubio.

A base foi estabelecida em 1898, quando os EUA ocuparam Cuba militarmente após vencer a Espanha na guerra hispânico-americana; e desde 2002 abriga o presídio de Guantánamo, criado pelo então presidente George W. Bush para os detidos por terrorismo após os atentados de 11 de setembro de 2001.

O congressista republicano Dave Trott expressou na audiência de hoje sua preocupação com o fato de que um ex-detento de Guantánamo tenha sido detido esta semana na Espanha, em referência a Hamed Abdul Rahman Ahmed, acusado de tentar recrutar menores para sua incorporação às fileiras do Estado Islâmico (EI).

Trott perguntou a Kerry se, diante dessa notícia, segue pensando que fechar a prisão de Guantánamo manterá os Estados Unidos seguros.

"Estou convencido de que nos deixará mais seguros, porque foi uma incrível ferramenta de recrutamento" para grupos terroristas como Al Qaeda e o EI", defendeu Kerry.

O chefe da diplomacia americana lembrou que, nos vídeos nos quais decapita reféns, o EI costuma vesti-los com trajes laranjas de prisioneiro.

"De onde acha que tiraram a ideia desses trajes laranjas? Tiraram de Guantánamo", ressaltou.

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