Obama avalia suspender embargo de 30 anos sobre armas ao Vietnã

Em Washington

Os Estados Unidos confirmaram nesta quinta-feira que estão avaliando a suspensão parcial ou completa do embargo que mantêm há três décadas contra a venda de armas ao Vietnã, e que o presidente Barack Obama falará sobre o tema com as autoridades vietnamitas durante visita ao país asiático na próxima semana.

"Falaremos disto durante reuniões do presidente (no Vietnã). É algo que estivemos avaliando à medida que nos preparamos para a visita", disse o assessor adjunto de Segurança Nacional de Obama, Ben Rhodes, em entrevista coletiva por telefone.

O embargo americano sobre armas ao Vietnã está em vigor desde 1984 e, embora tenha relaxado em 2014, Obama agora admite liberar significativamente o armamento que pode fornecer ao país, em um contexto de aproximação a Hanói e de inquietação pelo poderio militar da China.

"Não tomamos uma decisão final sobre o assunto", ressaltou Rhodes, mas reconhecendo que a Casa Branca conversou sobre o tema com vários membros do Congresso "nas últimas semanas".

Obama falará sobre o tema em suas reuniões na próxima segunda-feira com o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang, que tem menos de dois meses no cargo; com o novo primeiro-ministro do país, Nguyen Xuan Phuc, e com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Nguyen Phu Trong.

"Eles nos colocam este tema regularmente, e teremos a oportunidade de explicar o que pensamos e de conversar sobre como queremos tratá-lo de agora em adiante", afirmou Rhodes.

Perto de tomar essa decisão, os EUA levarão em conta "como está evoluindo a relação" com seu velho inimigo não só quanto "a cooperação com a segurança", mas também com relação ao "compromisso (americano) de apoiar os direitos humanos no Vietnã", acrescentou.

Os Estados Unidos não vendem armas ao Vietnã desde o fim da longa guerra no país asiático (1955-1975), embora a proibição formal só tenha sido emitida em 1984, pelo então presidente americano Ronald Reagan.

Os antigos inimigos restabeleceram suas relações diplomáticas em 1995, e Obama tentou aplicar ao Vietnã a mesma filosofia que adotou com Cuba e Mianmar: a de impulsionar o diálogo bilateral apesar de sua preocupação com situação dos direitos humanos.

Essa preocupação será um fator importante na decisão de Obama sobre suspender o embargo de armas, e vários grupos de defesa dos direitos humanos são contrários que os EUA tomem essa medida sem exigir concessões em troca.

"(O Vietnã) fez muito pouco para merecer essa recompensa", afirmou o diretor para a Ásia da Human Rights Watch (HRW), John Sifton, ao jornal "Los Angeles Times".

"Pedimos que nos últimos anos mostrassem avanços em suas reformas legais, que revoguem as leis que criminalizam as críticas ao governo, que libertem seus prisioneiros políticos. E não fizeram quase nada", acrescentou Sifton.

Obama sairá de Washington no sábado e chegará no dia seguinte ao Vietnã, onde permanecerá até a próxima quarta-feira, dia 25, e passará por Hanói e Saigon, em uma visita "mais longa que o habitual" com a qual os Estados Unidos esperam "marcar um impacto" durável na relação bilateral, segundo Rhodes.

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