Shimon Peres teve a maior trajetória política na história de Israel

Jerusalém, 28 set (EFE).- Shimon Peres, que morreu nesta terça-feira, aos 93 anos, de falência múltipla de órgãos, após ficar internado por duas semanas devido a um acidente vascular cerebral, foi presidente de Israel entre junho de 2007 e julho de 2014, após ter sido primeiro-ministro em dois períodos, de 1984 a 1986 e de 1995 a 1996.

Em 1994, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, ao lado do presidente palestino, Yasser Arafat, e o então primeiro-ministro de seu país, Yitzhak Rabin, após a assinatura dos Acordos de paz de Oslo.

Sua trajetória política de sete décadas é a mais longa da história israelense.

Nasceu na Polônia, no dia 2 de agosto de 1923, com o nome de Szymon Perski e emigrou com sua família para a Palestina sob mandato britânico em 1934, onde já se encontrava seu pai.

Em sua juventude, ele se mudou para um kibutz da Galileia, onde realizou tarefas com criadores de gado, e se filiou ao Juventude Operária, do Partido Mapai (socialista), onde foi eleito secretário em 1944. Dois anos depois, foi um dos delegados no Congresso Sionista da Basileia.

Na sombra de Ben Gurion, fez uma brilhante carreira e em 1947 foi incorporado à organização israelense de defesa "Haganá", coincidindo com a divisão da Palestina.

Um ano mais tarde, depois da proclamação do Estado de Israel, foi nomeado diretor do Serviço Naval. Em 1949, liderou a delegação de aquisições nos Estados Unidos do Ministério da Defesa, e aproveitou para estudar nas universidades de Harvard e Nova York.

Entre 1952 e 1953, foi vice-diretor geral do Ministério da Defesa, e vice-ministro de 1959 a 1965, período onde contribuiu para consolidar o poderio militar israelense, incluído o programa nuclear, contando com ajuda da França.

Em 1965, ele se uniu a Ben Gurion e ao general Moshe Dayan e fundaram o Partido RAFI, que rivalizava com o então primeiro-ministro Levy Eskhol. Em 1967, Eskhol formou um governo de união nacional onde Peres ocupou diversos cargos, e depois com Golda Meir.

Deputado desde 1959, foi membro do Mapai de 1959 a 1965; fundador e secretário-geral do Partido RAFI em 1965; membro do Partido Trabalhista desde a fusão de ambos em 1968 e, além disso, eleito presidente deste em 1977.

Ele também foi ministro para Desenvolvimento Econômico de 1969 a 1970; de Transportes e Comunicações, de 1970 a 1974; de Informação entre março e junho de 1974; e de Defesa, de 1974 a 1977.

Primeiro-ministro interino entre abril e maio de 1977, em junho foi eleito chefe do Partido Trabalhista, substituindo Rabin, que renunciou por ter uma conta bancária no exterior.

Perdeu as eleições de 1977 para Menachem Begin e permaneceu durante vários anos como chefe da oposição até que em 1984 se tornou no oitavo primeiro-ministro de Israel em um governo de unidade com o partido direitista Likud.

Por acordo entre os dois partidos, ocupou a chefia do governo em rotação até outubro de 1986, quando se tornou ministro das Relações Exteriores.

Após as eleições de 1988, os trabalhistas e o Likud recriaram sua coalizão e Peres foi nomeado vice-primeiro-ministro e titular de Finanças em um governo liderado por Yitzhak Shamir.

Mas por conta de uma enorme crise, Shimon Peres foi expulso do governo em 1990. Com esse cenário, em fevereiro de 1992, ele perdeu a liderança trabalhista para Yitzhak Rabin e a candidatura para as eleições de junho de 1992.

Após a vitória eleitoral, Rabin o nomeou ministro das Relações Exteriores.

Como chefe da diplomacia, conseguiu importantes acordos entre israelenses e palestinos como a Declaração de Princípios de Washington de 1993, que estabeleceu as bases para uma autonomia palestina e um processo negociador.

Depois do assassinato de Rabin, em novembro de 1995, assumiu a chefia do governo, mas em maio do ano seguinte perdeu as eleições para Benjamin Netanyahu.

Após o pleito de 1999, em que Netanyahu foi derrotado por Ehud Barak, foi nomeado ministro do Desenvolvimento Regional.

Em julho de 2000, perdeu por seis votos a presidência de Israel para Moshe Katsav.

No ano de 2004, foi nomeado vice-primeiro-ministro e um ano depois perdeu nas primárias a liderança do partido Trabalhista, que deixou para se juntar ao Kadima, fundado por Ariel Sharon.

Em março de 2006, foi nomeado vice-primeiro-ministro no gabinete de Ehud Olmert e em junho de 2007 foi eleito presidente de Israel após um famoso escândalo sexual protagonizado pelo seu antecessor.

Peres concluiu suas funções no comando do Estado de Israel, em julho de 2014. Ele foi substituído pelo conservador Reuven Rivlin.

No dia 24 de janeiro deste ano foi hospitalizado pela segunda vez em dez dias, devido um problema cardíaco, e no dia 5 de setembro os médicos lhe implantaram um marca-passo.

No último dia 13, sofreu um acidente vascular cerebral que o manteve hospitalizado até hoje, quando seus órgãos vitais deixaram de funcionar.

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