Artista cria "casa do terror" que mistura eleições americanas e Halloween

Lara Malvesí

Em Nova York

  • Seth Wenig/ AP

    O artista Pedro Reyes posa em uma seção de sua instalação "Doomocracy", em Nova York

    O artista Pedro Reyes posa em uma seção de sua instalação "Doomocracy", em Nova York

Em uma casa decorada em Nova York no estilo que se prolifera nos Estados Unidos durante o Halloween, o que assusta os visitantes não são vampiros ou zumbis, e sim as políticas do governo e as próximas eleições à presidência do país.

A casa, chamada "Doomocracy", é uma instalação interativa com atores no antigo terminal militar do Brooklyn que pretende levar as pessoas que nela entram a uma "catarse política", disse o artista mexicano Pedro Reyes.

"É a casa dos horrores políticos", disse ele, que destacou a confluência de dois eventos presentes no imaginário americano nos próximos dias - "a tradição de Halloween e as eleições presidenciais".

Aproveitando a velha infraestrutura do terminal militar, o visitante pode explorar, em um labirinto de cômodos, alguns temores da sociedade americana, como a vigilância governamental e os perigos da mudança climática.

Seth Wenig/ AP
Reyes e uma de suas obras na instalação "Doomocracy"

O visitante chega à instalação em uma caminhonete de onde é preciso sair correndo ao mesmo tempo em que se responde às perguntas de "policiais" que abordam os visitantes com lanternas e os colocam com a cara na parede. O objetivo: reproduzir o que os imigrantes detidos sofrem.

"Para quem vive neste país em situação de privilégio talvez seja estranho, mas é a realidade de muitas pessoas nos EUA", afirmou o artista mexicano.

Em outro quarto, os visitantes são parte de um grupo de donas de casa que conversa sobre a necessidade de usar armas devido à proliferação de roubos na vizinhança.

Depois, um parque natural privatizado que pode ser visto com o uso de óculos de realidade virtual faz o espectador refletir.

São experiências nas quais, em pequenos grupos, os visitantes interagem com atores que sabem até onde chegar para serem incômodos sem ultrapassar nenhuma linha vermelha.

Se por acaso algo incomodar, os espectadores recebem um código secreto que permite sair da instalação imediatamente sem perturbar a dinâmica do resto do grupo.

Seth Wenig/ AP
Na instalação, Pedro Reyes trabalha com os temores da sociedade americana

Em conjunto, trata-se de um labirinto de denúncia social que leva o espectador à reflexão - um "itinerário masoquista", disse Reyes, aos risos.

Em colaboração com Reyes trabalhou a diretora da Creative Time, Katie Hollander, para quem ele é "especialista na criação de instalações sociais e politicamente inspiradas".

Escultor, com formação acadêmica na arquitetura, Reyes, de 44 anos, integra elementos de teatro, psicologia e ativismo em sua arte.

Em 2008, ele começou um projeto no qual 1.527 armas de fogo foram doadas para serem transformadas em pás com as quais foi plantada a mesma quantidade de árvores.

A instalação "Doomocracy" pode ser vista no Brooklyn até 7 de novembro, apenas um dia antes das eleições presidenciais nos EUA.

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