Obama alerta sobre se afastar de TPP e promete falar se Trump ameaçar valores

Miriam Burgués

Em Lima (Peru)

  • Luka Conzalez/AFP

    Obama fala durante coletiva de imprensa no último dia da Cúpula de Líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Lima, no Peru

    Obama fala durante coletiva de imprensa no último dia da Cúpula de Líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Lima, no Peru

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou neste domingo (20) sobre os riscos de deixar de impulsionar a ratificação do Acordo de Associação Transpacífico (TPP), muito criticado por seu sucessor, Donald Trump, e antecipou que não ficará calado se considerar que o líder eleito ameaça os "valores" do país.

Obama deu em Lima, ao término da Cúpula de Líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), sua última entrevista coletiva como presidente no exterior, ao término de sua viagem internacional de despedida por Grécia, Alemanha e Peru.

Em linha com a declaração final da cúpula, na qual os 21 membros do Apec, alertam do risco de cair no protecionismo, Obama enfatizou durante a entrevista coletiva que a resposta aos desafios que uma economia globalizada gera não é pôr barreiras ao comércio.

Depois Obama se centrou em reiterar seu compromisso com o TPP, um acordo ao qual deu prioridade dentro de sua estratégia para a Ásia-Pacífico, mas que não foi ratificado pelo Congresso dos EUA e o qual Trump considera um "desastre".

"Se (o TPP) não fosse ratificado, se solaparia a posição do país na região e se reduziria sua capacidade de estabelecer redes comerciais", advertiu Obama.

No marco da cúpula do Apec, Obama convocou no sábado uma reunião entre os líderes dos 12 países signatários do TPP e nela ficou acertado trabalhar juntos para continuar impulsionando o acordo.

"Nossos parceiros esclareceram muito bem que querem continuar com o TPP e que preferencialmente gostariam de fazê-lo com os Estados Unidos", explicou Obama.

O TPP prevê um período de dois anos para sua ratificação pelos Parlamentos dos países-membros, mas para sua entrada em vigor é necessário que os signatários representem, pelo menos, 85% do PIB do bloco.

Isso faz com que seja impossível seu avanço se não for respaldado pelas economias mais poderosas, Japão e EUA, por isso que em alguns âmbitos já se começaram a analisar alternativas.

A isso se referiu Obama quando comentou que "também se está falando de acordos comerciais não tão ambiciosos, com menos proteção para os trabalhadores e o meio ambiente".

Durante toda sua viagem, Obama tratou de tranquilizar os demais países sobre o que pode representar uma presidência de Trump, perante a incerteza e o medo de que geram as propostas que defendeu o magnata em sua campanha, e hoje voltou a falar a respeito durante a entrevista coletiva em Lima.

Obama argumentou que a realidade forçará Trump a modificar as posturas que defendeu durante sua campanha, embora tenha admitido que não pode garantir que o magnata "não perseguirá algumas das posições que tomou".

"Teremos que esperar e ver", comentou Obama, repetindo a mesma mensagem que levou em sua passagem por Grécia e Alemanha.

Segundo Obama, desde que Trump ganhou as eleições nos EUA no dia 8 de novembro, seu objetivo foi ser respeitoso com seu sucessor na Casa Branca e dar-lhe tempo para que monte sua equipe e defina suas políticas.

Mas, "como cidadão americano que se preocupa profundamente com seu país", prometeu falar e sair em defesa dos valores e ideais nacionais se os considera ameaçados por Trump.

No marco da cúpula do Apec, Obama teve uma conversa breve e informal com seu colega russo, Vladimir Putin, provavelmente a última antes de deixar a Casa Branca em janeiro.

Nela, Obama pediu a Putin para respeitar os compromissos assumidos pela Rússia dentro dos acordos de Minsk sobre a Ucrânia e enfatizou a necessidade de que os dois países continuem buscando opções, junto com a comunidade internacional, "para diminuir a violência e aliviar o sofrimento do povo sírio", de acordo com a Casa Branca.

A relação entre Putin e Obama nunca foi fluente e piorou nos últimos anos, sobretudo devido à guerra na Síria e ao conflito da Ucrânia e, mais recentemente, pela acusação americana a Moscou de ter lançado ataques cibernéticos para influir nas eleições presidenciais vencidas por Trump.
 

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