Com Aleppo, Assad tem maior vitória em mais de 5 anos de guerra na Síria

Beirute, 26 dez (EFE).- O presidente da Síria, Bashar al Assad, conseguiu em Aleppo sua maior vitória em mais de cinco anos de guerra na Síria, onde a ofensiva do Exército nesta cidade, a maior do norte do país, marcou a evolução da disputa em 2016.

O sucesso dos soldados governamentais nesta cidade teve o apoio da aviação da Rússia, que foi decisiva na hora de dar o golpe certeiro nos rebeldes, que dominavam quase toda a metade leste desde 2012. A ofensiva militar em Aleppo marcou o desenrolar das negociações indiretas em Genebra entre uma delegação do governo sírio e grupos da oposição, coordenadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

De fato, logo depois de começar, no início de fevereiro após dois anos de suspenção, as conversas foram adiadas pela retirada dos negociadores da oposição em protesto por uma operação das Aeronáuticas em áreas ao norte de Aleppo.

A violência desencadeada na região fez com que naquele mesmo mês a Rússia - parceira de Assad - e os Estados Unidos - que apoiam os opositores - acertassem um cessar-fogo em todo o território sírio. Da mesma forma que nas tréguas anteriores, a medida diminuiu as hostilidades durante as primeiras semanas, mas tudo foi retomado em pouco tempo, principalmente, em Aleppo.

Apesar do fracasso da rodada anterior de conversas, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, voltou a convocar às partes envolvidas em Genebra em abril para uma nova rodada de diálogo indireto. No entanto, essa tentativa foi desperdiçada porque a delegação opositora protestou novamente contra as violações dos soldados governamentais durante a trégua.

Pouco depois da suspensão do processo negociador, que não foi retomado, o Exército da Síria, apoiado pela Rússia, intensificou ainda mais a ofensiva em Aleppo, onde os bombardeios das forças aéreas nacional e russa tiveram o papel principal.

Apesar de as autoridades sírias não pararem de castigar os bairros controlados pelos rebeldes no leste de Aleppo com ataques aéreos e de artilharia, a estratégia foi em um primeiro momento para avançar por áreas do entorno até isolar complemente os distritos em poder dos adversários.

A tomada da Estrada do Castelo em julho representou um marco para os soldados em seu afã por recuperar o domínio total da cidade, já que esta era a única linha de abastecimento da metade leste, e agora estava completamente cercada. Facções insurgentes e islâmicas tentaram abrir um novo caminho pelo sul, através da Estrada de Al Ramusa, em uma tentativa que foi repelida pelas forças armadas.

Os últimos meses foram testemunhas de tréguas em todo o país e algumas delas, só em Aleppo, que não impediram que as hostilidades continuassem. A cartada final do Exército começou em 15 de novembro e foi a aniquilação de todo o foco de resistência rebelde na cidade.

Nesse período, a condições de vida dos cerca de 250 mil civis que moravam lá foram as piores possíveis, e eles foram submetidos a bombardeios diários, que provocaram centenas de mortes. Um dos casos que mais chamaram a atenção foi o dos hospitais, alvo favorito das aviações nacional e russa, cujos ataques fizeram com que todos os que existiam no leste de Aleppo ficassem fora de serviço em novembro.

O progresso dos soldados governamentais foi implacável e isto levou grupos rebeldes e islamitas de Aleppo a aceitar um acordo para a retirada de combatentes, civis e feridos, o que na prática representa uma rendição. Apesar da hesitação dos opositores, Al-Assad já avisou que a vitória em Aleppo não significa o fim da guerra na Síria. Ainda restam zonas em poder dos rebeldes no norte, no centro e no sul do país, assim como na periferia de Damasco.

Aleppo marcou o ano na Síria, mas também aconteceram eventos importantes em outras partes, como a declaração de um sistema federal por parte dos curdos no norte e a realização de eleições legislativas em áreas dominadas pelas autoridades onde ganhou o bloco governamental.

O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) retrocedeu, mas ainda conserva a capacidade de lançar ofensivas, como a vista recentemente em Palmira; enquanto a Turquia desenvolve, desde agosto, uma intervenção militar no norte da província de Aleppo contra jihadistas e rebeldes.

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