Papa condena extremismo religioso e defende amparo de refugiados

Laura Serrano-Conde.

Cidade do Vaticano, 9 jan (EFE).- O papa Francisco pediu nesta segunda-feira que os líderes religiosos condenem o extremismo religioso, defendeu o acolhimento de imigrantes e refugiados e falou sobre a paz e a necessidade de diálogo, por exemplo, na Venezuela e na Síria.

Em discurso para os embaixadores junto à Santa Sé, o pontífice abordou temas como o terrorismo fundamentalista, a crise migratória, os conflitos no Oriente Médio, as tensões na Europa e o cuidado com o planeta. Boa parte de suas falas tiveram como foco temas que envolvem paz e segurança e, por isso, ele condenou o extremismo religioso e os atentados cometidos em países como "Afeganistão, Bangladesh, Bélgica, Burkina Fasso, Egito, França, Alemanha, Jordânia, Iraque, Nigéria, Paquistão, Estados Unidos, Tunísia e Turquia".

Francisco lamentou que em algumas ocasiões a religião seja "usada como pretexto de fechamentos, marginalizações e violências" e pediu que o público rejeite a violência em nome de Deus. Nesse momento, ele se dirigiu aos líderes políticos e pediu para que garantam "o direito à liberdade religiosa" de seus cidadãos e gerem condições que evitem "a propagação dos fundamentalismos".

Sobre a crise migratória, o pontífice disse que é preciso que a comunidade internacional promova uma recepção digna dos imigrantes para que eles consigam se integrar. No entanto, ressaltou que os refugiados também devem lembrar que eles "têm o dever de respeitar as leis, a cultura e as tradições dos países que os acolhem".

Em sua opinião, uma "abordagem prudente" das autoridades não representa a aplicação de "políticas de fechamento". Segundo ele, o correto é avaliar, "com sabedoria", até que ponto o país é capaz de "oferecer uma vida decente aos migrantes, sem lesar o bem comum dos cidadãos".

O diálogo e a paz também são necessários em países como a Venezuela. O papa considerou ser "urgente" a criação de "caminhos para o diálogo" e "gestos corajosos" entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, para conter as "consequências das crises política, social e econômica" que agoniam a população.

Ele lembrou o degelo nas relações entre Cuba e Estados Unidos, no qual o Vaticano teve um importante papel, e os esforços que a Colômbia está fazendo para acabar com o conflito armado com a guerrilha das Farc. Mas foi sobre o Oriente Médio em que ele focou sua fala e criticou o "conflito atroz" que está provocando um desastre na Síria.

Francisco também renovou o "apelo urgente" para que o diálogo entre israelenses e palestinos seja retomado e que eles alcancem "uma solução estável e duradoura que garanta a convivência pacífica de dois Estados dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente".

Sobre a Líbia, desejou que "os acordos destinados a restabelecer a paz sejam efetivados", voto que também fez para países como Sudão, Mianmar e República Centro-Africana.

O pontífice encorajou os líderes dos países a combater a pobreza, fomentar uma "distribuição mais equitativa dos recursos" e incentivar as "oportunidades de trabalho, principalmente para os mais jovens".

No fim, falou sobre o Acordo de Paris sobre a Mudança Climática: "um sinal importante do compromisso comum de deixar um mundo habitável para as futuras gerações".

O papa concluiu seu discurso afirmando que a "paz é um dom, um desafio e um compromisso".

Atualmente, 182 países mantêm relações diplomáticas com o Vaticano. O último a integrar o grupo foi à Mauritânia, em dezembro do ano passado.

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