EUA indenizarão família de imigrante ilegal morto por agentes fronteiriços

San Diego (EUA), 24 fev (EFE).- O governo dos EUA indenizará com US$ 1 milhão os filhos do imigrante Anastasio Hernández para resolver o processo legal que sua família iniciou há seis anos quando o mexicano morreu após ser golpeado e receber descargas elétricas por parte de agentes fronteiriços na Califórnia.

O acordo, que ainda deve ser aprovado por um juiz federal, estabelece que a indenização será dividida entre os cinco filhos de Hernández, enquanto 25% seriam destinados para cobrir as despesas de representação legal, indica a solicitação apresentada perante a corte do distrito sul da Califórnia.

"Os Estados Unidos aceitaram pagar a quantidade inteira e estão prontos e dispostos a pagar sujeito à aprovação deste pedido", detalha o documento, assinado pelo grupo legal que representa os parentes e ao qual a Agência Efe teve acesso hoje.

Hernández foi detido em 28 de maio de 2010 quando tentou reingressar aos Estados Unidos sem documentos. Horas mais tarde, foi levado à antiga zona de deportações próxima à guarita de San Ysidro onde foi captado por duas testemunhas que gravaram vídeos com telefones celulares.

De acordo com o processo, o fato teria iniciado supostamente porque o mexicano não acatou a ordem de pôr as mãos sobre a cabeça.

Em resposta, agentes fronteiriços jogaram Hernández no chão, onde foi algemado e recebeu uma série de golpes e descargas elétricas que ocasionaram sua morte dias mais tarde.

A antiga área de deportações ficava à vista de milhares de pedestres que ingressam diariamente à cidade fronteiriça de Tijuana (México).

Em um dos vídeos é possível ouvir como Hernández pede ajuda em mais de uma ocasião, enquanto testemunhas pediam aos oficiais que parassem.

Em novembro de 2015, o Departamento de Justiça optou por não apresentar acusações criminais contra 12 agentes federais, incluindo supervisores, ao determinar que não havia evidência suficiente para comprovar que estes atuaram com malícia.

O fechamento da investigação federal fez com que em março de 2016 ativistas defensores de direitos humanos e parentes do imigrante ilegal enviassem o caso para análise perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em processo que continua pendente.

Este caso impulsionou organismos civis a pedirem que agentes fronteiriços usem câmeras em seus uniformes para evitar casos de uso excessiva de força.

Os advogados dos agentes envolvidos tinham apresentado uma apelação perante o Nono Circuito, embora finalmente se chegou a um acordo para pôr fim ao processo civil por homicídio culposo e uso excessivao de força há sete anos.

Por ora, foi marcada uma nova audiência para o começo de março na Corte Federal de San Diego, na qual, a resolução pode ser aprovada. EFE

am/ff

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