Humala nega ter recebido fundos ilegais da Odebrecht para campanha de 2011

Lima, 24 fev (EFE).- O ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, negou nesta sexta-feira ter recebido fundos ilegais da Odebrecht para sua campanha eleitoral nos pleitos presidenciais de 2011, quando foi eleito para o cargo.

Na saída de seu domicílio em Lima, Humala afirmou a veículos de comunicação locais que tanto ele como sua esposa, Nadine Heredia, não reconhecem como certo o que foi declarado pelo ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, que assegurou a procuradores que sua empresa repassou US$ 3 milhões para financiar a campanha de Humala de 2011.

Esses repasses teriam sido realizados a pedido do PT, segundo esse executivo.

O ex-presidente peruano exigiu provas do afirmado por Barata, a quem rotulou de "aspirante a colaborador eficaz", como se conhece no Peru a figura legal da delação premiada, à qual o empresário recorreu para colaborar com as investigações do caso Odebrecht em troca de reduzir uma futura condenação.

Humala lembrou que o próprio colaborador eficaz precisa apresentar provas do declarado para poder beneficiar-se de uma redução de sua pena.

Humala disse que não lembra se Barata foi ao imóvel onde o ex-diretor de Odebrecht afirmou ter se reunido com Humala e Heredia para entregar-lhes US$ 1 milhão dinheiro.

"Esse apartamento eu comprei quando estava solteiro nos anos 1990 e serviu de local de campanha tanto em 2006 como em 2011. Ali trabalhava a comissão política, e houve reuniões com empresários e diferentes personalidades", detalhou Humala.

O ex-mandatário peruano destacou, além disso, que as declarações de Barata também foram negadas pelo publicitário brasileiro Luis Favre, que foi um dos encarregados de entregar o dinheiro da Odebrecht ao Partido Nacionalista Peruano, segundo o afirmado pelo empresário.

A procuradoria peruana investiga Humala e Heredia desde o ano passado por um suposto crime de lavagem de ativos por supostamente ter administrado um financiamento ilegal de seu partido político durante as campanhas eleitorais para as eleições presidenciais de 2006 e 2011.

A Odebrecht reconheceu à Justiça dos Estados Unidos ter pagado US$ 29 milhões a funcionários peruanos entre 2005 e 2014, período que abrange os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Humala (2011-2016).

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