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Oposição síria acusa regime de retórica vazia e de não discutir transição

31/03/2017 11h24

Genebra, 31 mar (EFE).- A oposição da Síria acusou nesta sexta-feira o regime do presidente Bashar al Assad de utilizar uma "retórica vazia" sobre a luta antiterrorista enquanto "bombardeia, assedia e priva de comida" os cidadãos e se recusa a abordar a transição política caso haja um acordo de paz.

O chefe de delegação da Comissão Suprema das Negociações (CSN), Nasser Hariri, afirmou em entrevista coletiva que a oposição discutiu com o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, a transição política e a formação de um órgão do governo de transição, além de assuntos constitucionais, procedimentos eleitorais e medidas de segurança.

"O regime ainda se recusa a falar sobre transição política. Só utiliza a retórica vazia da luta antiterrorista, mas é a parte que atraiu o terrorismo à região, utiliza todo tipo de armas, inclusive químicas, e recorre ao assédio e à privação de comida", opinou Hariri.

Além disso, o chefe negociador da CSN indicou que o regime de Assad "matou mais de 150 civis, inclusive mulheres e crianças", desde o início, há uma semana, da quinta rodada de conversas e, desde a reunião anterior em Genebra, já foram contabilizadas mais de mil mortes, das quais 94% são entre os civis.

A oposição apresentou a De Mistura suas ideias e documentos nesta rodada, que acaba previsivelmente hoje, mas reiterou que "não quer negociar somente com a ONU" como fez até agora, "pois não há alguém do outro lado que priorize os interesses dos sírios".

"Só nos deparamos com uma parte que intensifica suas práticas criminosas, bombardeia mercados, hospitais e escolas para minar todas as opções de uma solução política", opinou Hariri.

Diante da mudança de posição dos EUA sobre o futuro de Assad, depois que o secretário de Estado Rex Tillerson assinalou que caberá ao povo sírio decidir sobre esta questão, a oposição síria reiterou que não haverá lugar para um "criminoso de guerra" em uma eventual transição, nem posteriormente.

Na opinião da CSN, é preciso "levar à mesa de negociações a influência internacional para que possa haver um diálogo construtivo e conversas bem-sucedidas".

O objetivo da oposição é pôr fim aos assassinatos por parte do regime e ao sofrimento dos sírios, assegurar o compromisso de todas as partes com o cessar-fogo, iniciar mecanismos de supervisão e manutenção do mesmo e levar à Justiça os autores dos crimes de guerra.

Outra meta é "expulsar o Irã e a todos os combatentes estrangeiros, todas as organizações terroristas", assim como assegurar ajuda e acesso de pessoal humanitário ao país.

"O sentido de impunidade do qual o regime desfruta diante da falta de medidas sérias para que preste contas permite que Assad possa seguir com suas práticas e colocar obstáculos no processo", acrescentou Hariri.